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Língua Afiada

Aqui falamos sobre Jornais e Jornalismo, Cinematografia, Gravação e Edição de Imagem, Video e Som, Animações Computurizadas, Actividades de Rádio e de Televisão

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Jornalismo Político: Poder (IR)Responsável a Valer?

30 de Janeiro de 2020 by olinda de freitas Deixe um comentário

O jornalismo político é, sem dúvida, o sublinhar das ligações que existem entre a imprensa, o público e a política. O mesmo será enfatizar os efeitos do jornalismo, que desempenha um papel político na sociedade, na opinião pública.

Jornalismo: o quarto poder

No mundo contemporâneo, a dimensão política do jornalismo é a que afirma com convicção de que o jornalismo constitui um quarto poder, uma ideia introduzida no século dezoito com a evolução das formas modernas de democracia. Naquela altura era suposto que a imprensa funcionasse como guardiã da democracia e defensora do interesse público. Nos nossos dias, o quarto poder é sinónimo de equilíbrio dos outros três poderes: o executivo, o judicial e o legislativo.

O jornalismo político é, de facto, poderoso. 

Opinião pública no saco do quarto poder

Ligadíssima ao quarto poder está a opinião pública naquilo que é o debate político e a decisão política em uma relação do jornalismo com o mundo político: o jornalismo político.

Políticos e jornalistas possuem uma relação simbiótica desde o século dezanove quando os partidos começaram a ser detentores dos jornais. Hoje, a assessoria é imprescindível e os políticos e os jornalistas já não passam uns sem os outros – estes últimos são uma espécie de actores políticos, o que faz do jornalismo uma instituição política e dos media instrumentos políticos.

Resultará tudo isto em uma ameaça à democracia?

O que é e deve ser o jornalismo na prática?

Genericamente a investigação sobre o jornalismo político segue três sentidos, em que cada um deles encara de uma maneira distinta os diferentes níveis da prática jornalística. Em comum, encontra-se a preocupação sobre o que o jornalismo político é, afinal, na prática, e o que deve ser:

  • jornalismo políticointeracção entre jornalistas e fontes;
  • intercessão do jornalismo com o mundo político e com as audiências;

Aqui a questão central é a forma como o jornalismo afecta a democracia e a noção de que a imprensa pode existir como veículo não intencional de propaganda política e partidária – além de que a agenda pública é influenciada ciada pela agenda dos media. Nesta perspectiva, é suposto que o jornalismo esteja livre de coerção política e possua credibilidade, actuando como observador imparcial da actividade política em defesa do interesse público. 

  • tipologias de interacção de larga escala.

Aqui pretende-se uma descrição do jornalismo político, dos processos jornalísticos sob diferentes sistemas políticos, uma avaliação da eficácia do jornalismo em diferentes contextos políticos. Um dos clássicos desta abordagem é o livro Four Theories of the Press.

Four Theories of the Press: o jornalismo é eficaz?

Em Four Theories of the Press os autores defendem a ideia de que os media actuam de acordo com as estruturas sociais e políticas das sociedades em que se inserem. Ora tal reflecte os seus sistemas de controlo social. Classificando os sistemas mediáticos de acordo com o sistema de governo dominante, os autores apresentam quatro teorias para o jornalismo político:

  • a teoria autoritária, em que o poder absoluto restringe o uso dos media;
  • a teoria libertária, em que os media se constituem como um meio de chegar à verdade em um mercado livre de ideias;
  • a teoria totalitária/soviética, na qual o jornalismo é controlado através de uma vigilância inspirada pelo pensamento marxista;
  • a teoria da responsabilidade social.

Nesta última teoria há o enquadramento do jornalismo numa ética profissional com capacidade para expor conflitos. Convém salientar que a doutrina da responsabilidade social, que emergiu no século dezanove mas terá sido reformulada nos anos 50, terá resultado da seguinte acção jornalística:

  • das críticas de subordinação da imprensa aos negócios;
  • da influência da publicidade nos conteúdos jornalísticos;
  • da exploração do fait-divers e dos atentados à vida privada e à moralidade pública.

O jornalismo político desenrola-se em paralelo com a política, o público e opinião pública. Aferir se o faz da melhor forma é completamente subjectivo. Mas o importante mesmo é dar uma pincelada de reflexão a estas questões…

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Jornalismo na Era Digital: Mais Olhos e Mais Ouvidos!

24 de Janeiro de 2020 by olinda de freitas Deixe um comentário

O jornalismo na era digital é, de facto, muito diferente. A sociedade de informação digital, nomeadamente pelo avanço das novas tecnologias, acarretou mudanças no paradigma comunicacional e, por conseguinte, no jornalismo. O pensamento linear de outrora começava a dar lugar ao hipertextual do ciberespaço – um mundo globalizado com novos espaços, novas relações e nova estrutura de poder: nascia o jornalismo na era digital.

As transformações ideológicas do Jornalismo

Ao longo dos tempos, o jornalismo foi adquirindo diferentes nuances ideológicas:

  • jornalismo na era digitalImprensa opinativa, ideológica ou de partido caracterizava o século dezanove;
  • Notícias factuais, destacando artigos com histórias de vida, terá sido a novidade dos anos trinta nos EUA: surgia o The World, com uma linguagem acessível, clara, simples, precisa e com ênfase no conteúdo;
  • As guerras do século vinte vincaram a descrição e a interpretação das notícias no jornalismo;
  • A partir dos anos sessenta, o jornalismo evoluía para um modelo mais analítico devido, em parte, à especialização dos jornalistas que rapidamente começaram a ser os intérpretes da realidade com a força do jornalismo de investigação;
  • Estávamos nos anos oitenta e surgiam as novas tecnologias da informação na comunicação, dando espaço a um outro veículo informativo: os meios online.

Surgia o jornalismo na era digital e, na imprensa, os grandes grupos multimediáticos começavam a substituir as empresas monomédia.

Quais são, então, as características do jornalismo na era digital?

O jornalismo na era digital assume uma grande potencialidade: a de poder ser instantâneo. O jornalismo online possui, de acordo com alguns autores, seis elementos característicos:

  • a multimídialidade/convergência;
  • interactividade;
  • hipertextualidade;
  • personalização;
  • memória;
  • actualização.

A volatilidade da Imprensa

Não há dúvidas acerca do carácter volátil da imprensa perante a inovação tecnológica, até porque se assume que perante esta última há sempre uma alteração na produção de conteúdo e igualmente na sua recepção.

O jornalismo na era digital consegue reunir todas as características de todos os meios de informação: a escrita com a possibilidade de audição e com apelo visual. Fantástico, não?

Existem, no entanto, correntes que atestam que o grande jornalismo, o anterior ao jornalismo na era digital, foi ficando para trás pela superficialidade que o actual, e mais recente, apresenta. Tudo é, obviamente, passível de ser discutido e em todas a áreas e em todos os tempos há correntes que contradizem o óbvio – assim como grupos de interesse que camuflam, pelo geral, as suas posições bem particulares.

Adiante: é inegável a grande vantagem, que é o acesso à informação, na era digital!

Foram muitos os estilos e as ideologias que a imprensa escrita foi assumindo no tempo até aos dias de jornalismo na era digital.

O jornalismo, de hoje, à riqueza das palavras acrescenta-lhes som e imagem – e a instantaneidade que lhe confere permite-nos uma fruição plena. Já tinha pensado nisto?

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Jornais Online: A Convivência Feliz com o Jornal Papel

18 de Janeiro de 2020 by olinda de freitas Deixe um comentário

A actualidade é dos jornais online que, apesar das inúmeras vantagens, têm sido alvo de críticas baseadas em algumas das suas características.

Que características são alvo de críticas nos jornais online?

Algumas questões se levantam perante a especificidade das características dos jornais online:

  • jornais onlineo hipertexto

Apesar de permitir ao leitor decidir como faz o percurso da informação a que está a ter acesso, o hipertexto coloca o jornalista na ausência de controlo da situação comunicacional. Esta ocorrência pode, de facto, gerar significados não pretendidos ou enviesados para as mensagens jornalísticas que nem sempre são consumidas integralmente pelo leitor.

  • a instantaneidade

Esta característica faz destacar o estreitar das deadlines e, consequentemente, dificuldades acrescidas para o jornalista em termos de verificação da informação, de contrastação de fontes, de recuo, de contexto.

  • a interactividade

Apesar das vantagens indiscutíveis, pode ter dois efeitos menos bons:  gerar pressões sobre o jornalista e frustração no leitor, que não vê satisfeitas as suas eventuais necessidades de comunicação.

A concorrência dos jornais online com os sites

Os jornais online no espaço da internet não concorrem apenas entre si nem com outros meios de comunicação: concorrem com os sites em uma lógica de complementaridade – no sentido em que  o acesso à informação também se dá por hiperligações.

São grandes, neste contexto, os desafios que se colocam não só aos jornais online como ao jornalismo em geral no espaço da internet.

Deixarão de existir jornais em versão papel?

Não, pelo menos a médio prazo! Há estudos que comprovam que a leitura no ecrã exige cerca de trinta por cento mais de esforço dos olhos do que a leitura em papel. Esta será uma razão mais do que pertinente para este receio. Ademais, a portabilidade e a facilidade de maneio do papel são indiscutíveis e, portanto, insubstituíveis.

Convém igualmente não esquecer de que os jornais online trabalham muito para o estímulo da compra dos jornais em versão papel. O mesmo ocorre, digo este sentido de se complementarem, quando os jornais em papel recorrem à internet, por exemplo, através de concursos ou de anúncios.

Investimento e retorno positivos

O sucesso do investimento dos jornais tradicionais nos meios online tem sido uma constante. A comprovar está o facto de que as versões online dos jornais de qualidade em papel continuam a ser os mais acedidos. E sabe o que isso representa, não sabe? Contrapartidas publicitárias, pois claro!

O sucesso dos jornais online é de tal forma evidente que alguns desses jornais possuem conteúdos pagos e conteúdos especiais para assinantes.

Sim, eu sei que o preço do papel está a aumentar mais e mais. E que as novas tecnologias têm tendência a galopar. E que talvez um dia o jornal tradicional só caiba nos museus. Mas isso está longe, muito longe!

Sabe porquê? Porque a realidade está, sempre esteve, mesmo servindo de inspiração para o digital, no analógico.

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Jornalista Enquanto Gatekeeper? Gatekeeper Cidadão!

12 de Janeiro de 2020 by olinda de freitas Deixe um comentário

É questionável se o jornalista enquanto gatekeeper está em declíneo com o desenvolvimento da Web.

O jornalismo tradicional exigia que o jornalista enquando gatekeeper filtrasse os dados, que chegavam às redacções através de diversos canais e diferentes fontes, em bruto – para depois apresentar ao público apenas os que considerasse mais importantes ou pertinentes. A informação ou passava ou era rejeitada.

Ao longo da história, terão sido – e são – as elites a servirem de gatekeepers  – guiando-se pelosseus próprios princípios de relevância das notícias, gosto e interesse publico, limitações de tempo e espaço: audiências.

E com o desenvolvimento da Web?

jornalista enquanto gatekeeperCom o desenvolvimento da web, o jornalista enquanto gatekeeper na internet não existe. O ciberespaço é, de facto, infinito e qualquer um pode disseminar informação, de forma instantânea pelo mundo!

O perfil actual dos leitores, utilizadores da internet, está no recurso a motores de pesquisa para encontrarem a informação que procuram e precisam.

O tempo das notícias em primeira mão, com o jornalista enquanto gatekeeper, acabou com o universo online. Temos pena? Como designar agora o jornalista perante o seu novo papel em uma nova forma de comunicar?

Hoje é acessível a todos a publicação de informação sem ser, sequer, necessária a carteira profissional nem a passagem por uma hierarquia de redacção. E é por isso que escrever requer, mais do que nunca, uma responsabilidade acrescida!

Gatekeeper também atrapalhava

Por outro lado, sempre houve casos em que a explosividade da informação, relacionada com a natureza da notícia, não poderia esperar e que o jornalista enquanto gatekeeper tornava-se redundante. Um pau de dois bicos.

Mas o que interessa mesmo perceber é que o universo online está a redefinir a própria noção de fontes de produção de conteúdo. Todo o consumidor da internet é um potencial produtor de conteúdo, está a ver?

Em vez de se limitar a ser mero espectador passivo, o utilizador da internet pode, simplesmente, montar o seu jornal online e ser o seu próprio jornalista enquanto gatekeeper em moldes completamente desfasados do jornalismo tradicional.

A mistura do ser-se, ao mesmo tempo, fornecedor de conteúdo e membro da audiência é agora uma realidade.

A democracia do teclado

Vivemos na democracia do teclado em que cada um de nós é jornalista enquanto gatekeeper de si mesmo. No universo online, todos os cidadãos possuem a oportunidade, e a liberdade,  de se exprimirem, individualmente ou em grupo – com informação de qualquer espécie: fluxo de áudio, vídeo, comunicações escritas, trocas de dialogo, sondagens e votações, folhetos e programas, entrevistas, discursos, apresentações e publicitações.

No universo online, tudo circula!

Pensar no eventual declínio do jornalismo tradicional, e do jornalista enquanto gatekeeper, é interessante – principalmente se o compararmos ao actual universo online onde existe absoluta democratização na produção e divulgação de conteúdos de toda a espécie.

Cada cidadão é, ou deveria mesmo ser altamente responsável – e responsabilizado – por isso.

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Moda mais Recente na China: Tolerância da Estupidez!

25 de Dezembro de 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

Sabia que a moda mais recente na China é colocar repolhos com uma trela e passeá-los como se faz com os cães? A inspiração terá vindo de um suposto trabalho artístico do fotógrafo Han Bing na série “Walking the Cabbage in Tiananmen”. Na época, o artista afirmou que sua intenção era que as pessoas vissem como as suas vidas diárias são rotinas que cegam. Andando com os repolhos faz parte de uma série de fotografias performativas que Bing produziu durante período de oito anos, entre 2000 e 2008.

Na sua forma de trabalhar, através da manipulação subtil de imagens banais, ele levanta questões importantes sobre as normas sociais contemporâneas chinesas. Tudo bem. E daqui fez-se a moda mais recente na China!

Arte é arte e estupidez é estupidez!

moda mais recente na ChinaTeorias sobre este pastiche ou inspiração apontam para o estado psicológico de quem adere a esta moda mais recente na China: depressão.

Ora, ora, manter um vegetal em passeio como se faz com um animal de estimação não será coisa de depressão mas de esquizofrenia invertida e também falta de consciência.

Se por um lado colocar uma trela em repolhos demonstra claramente sinais de ruptura com o mundo interior e aquilo que será um equilíbrio saudável, esquizofrenia invertida, não ter a noção de que os repolhos são alimentos e que arrastá-los pelo chão está a estragá-los e o seu fim último é ir para o lixo será o outro lado da estúpida falta de consciência desta moda mais recente na China.

Alegam solidão

Em entrevista ao Austrian Times, Lui Ja Chen, de 17 anos, disse assim: “Sinto que posso transferir os meus pensamentos negativos sobre mim mesmo para o repolho, ir a um passeio com ele e voltar para casa sentindo-me melhor.”

Mas o que é isto, afinal?, estes fedelhos andam a estragar alimentos e alegam solidão porque simplesmente os repolhos possuem as seguintes vantagens:

  • quando vêem alguém com o repolho é mais fácil iniciar uma conversa;
  • os repolhos são melhores do que cães porque não perdem pêlo;
  • não precisam de comer;
  • não sujam as ruas.

Há aqui uma variante egoísta enorme – e isto é que os psicólogos haviam de explorar nestes monstrinhos! Depois, estes adolescentes mentecaptos que aderem à moda mais recente na China justificam que podem deitar os repolhos fora e sentir que deitaram fora igualmente os maus sentimentos. Socorro, o mundo está a ficar um péssimo sítio para viver!

Aberração contagiante

A reacção de alguns estrangeiros perante esta aberração de moda mais recente na China é também motivo, não de riso, de admiração: houve tentativa de compreender o novo padrão dos adolescentes chineses.

Mas haverá alguém à face deste planeta que não sinta outra vontade senão a de colocar estes adolescentes mentalmente doentes em bico de castigo durante toda a puberdade?

Adolescentes, pais de adolescentes, psicólogos, psiquiatras chineses e também transeuntes estrangeiros façam-me um grande favor: arranjem o que fazer, desenvolvam a massa cinzenta porque tolerar adolescentes mentecaptos que estragam comida em praça pública é simplesmente uma aberração de fazer corar qualquer amarelo que se preze!

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A Constituição Portuguesa pró Portugal dos Pequeninos

19 de Dezembro de 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

A Constituição Portuguesa tem assumido subjectividades na comunicação social em geral e na televisão em particular – principalmente quando se ouvem os políticos do Governo de Pedro Passos Coelho a falar ou a agir. Nesta perspectiva cabe também o Presidente da República, o qual insiste em fazer da Constituição Portuguesa, e do país, um Portugal dos pequeninos.

Vou explicar-te, querido, o que é a constituição Portuguesa

A Constituição Portuguesa é a Lei Fundamental aprovada e decretada pela assembleia constituinte, em 1975, após o 25 de Abril. Sabes o que foi, e o que deveria continuar a ser, o 25 de Abril? Se leres a Constituição Portuguesa ficas a perceber: foi uma ruptura com aquilo que os portugueses não queriam.

Porque os portugueses – como tu, o papá e a mamã, querem direitos e liberdades e garantias. Percebes?

Sim, eu sei, estás confuso: todos os dias ouves o papá e a mamã dizerem que é preciso outro 25 de Abril – e também os vês tristes e cansados. Mas isso, explico-te, é porque os senhores que estão ao leme do barco, imagina que Portugal é um barco, não estão a cumprir com a tal Lei Fundamental.

Constituição Portuguesa violada

Como é que isso é possível? Olha, pensa assim: o barco está sem combustível mas cheio de pessoas para transportar e os senhores que comandam o barco estão sem rumo e à deriva: imaginaram um tesouro fora da rota, um tesouro recomendado por outros senhores estrangeiros, e sem pensarem nos papás e nas mamãs, e em todas as pessoas que vão no barco, andam atrás do tesouro esquecendo completamente a ideia de justiça e ignorando a força do direito. A Constituição Portuguesa está a ser violada, percebes?

Isso quer dizer que não há democracia?

Não, meu querido, democracia há, até porque os senhores que estão ao leme do barco foram escolhidos pelas pessoas que vão no barco. O que acontece, meu querido, é o desrespeito por o que a Constituição Portuguesa representa. Há uma violação, percebes?

Porque o maior chefe dos senhores que vão ao leme, que é o que deveria representar – e defender – os sentimentos mais profundos de todos os habitantes do barco, também não ama a Constituição Portuguesa, a Lei Fundamental.

E quem ama, aprende desde já isto muito cedo, não trai, não viola, não ataca, não faz mal. Quem ama protege, defende, exalta.

A mãe Constituição Portuguesa mete limites aos abusos

A Constituição Portuguesa, a Lei Fundamental, que é de e para todos, meu querido, reconfigura o passado, faz a descrição do destino comum, enforma o futuro e os processos de mudança social. Mas, acima de tudo, a Constituição Portuguesa impõe limites rigorosos ao poder dos que comandam o barco em nome do povo que representam.

A Constituição Portuguesa determina as regras do jogo político, facilita a alternância, limita a acumulação de mandatos sucessivos para o comando do barco. É a Constituição Portuguesa que faz o desenho da representação democrática. Percebes?

Por isso, a Lei Fundamental não é uma lei como as outras: a Constituição é a mãe de todas as outras leis e sim, é mesmo isso que estás a pensar: andam com fisgas a atirar pedras à mãe.

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