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Língua Afiada

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Navio português Flor do Mar. E o tesouro?!

31 de Julho de 2019 by olinda de freitas 1 comentário

O navio português Flor do Mar, Flor de la Mar para os mais rigorosos, terá sido avistado por drones subaquáticos perto da Indonésia. O navio português Flor do Mar naufragou em 1511, no estreito de Malaca, contendo o tesouro roubado, dizem, com 60 toneladas de ouro do sultanato, que se tornou num dos mais míticos e cobiçados tesouros perdidos da História: O Tesouro!

Tesouro roubado por portugueses rumo a Portugal

O barco mais rico desaparecido alguma vez no mar, navio português Flor do Mar, estará, ou estaria, carregado com “200 cofres de pedras preciosas, diamantes pequenos com a dimensão de meia polegada e com o tamanho de um punho os maiores”.

Vinha destinado a D. Manuel I de Portugal, com o tesouro, e afundou. Estariam os deuses loucos de inveja?

Quem transportava o navio português Flor do Mar?

O navio português Flor do Mar, navio mercante, transportava – além do tesouro tão desejado – D. Afonso de Albuquerque após este ter conquistado Malaca, o maior centro comercial do Oriente da altura.

O navio português Flor do Mar serviu como unidade de apoio aquando da conquista de Malaca e, aproveitando a sua grande capacidade, Afonso de Albuquerque utilizou-a no regresso, em finais de 1511, para transportar os saques (sim, os saques, os portugueses conquistavam e roubavam ao mesmo tempo) da conquista daquela que era o entreposto comercial mais rico e significativo de toda a Ásia.

Um tesouro, portanto, que não pertencia a portugueses.

A estratégia de Albuquerque

Albuquerque meteu-se ao mar, feliz e contente, tesouro roubado debaixo do braço, no navio português Flor do Mar com a intenção de ofertá-lo à corte de Manuel I de Portugal. Na histórica embarcação seguiriam também presentes do Reino do Sião (actual Tailândia) para o rei de Portugal. E tudo se afundou.

Olhos de drones vêem o navio a nadar

Os olhos dos drones vêem tudo e, ao que parece, viram o navio português Flor do Mar a nadar lá no fundo no mar de Java, perto da cidade de Seramang, na Indonésia. Terá ainda o tesouro molhado?

Entretanto o ministro-chefe de Malaca, Datuk Seri Idris Haron, disse não ter recebido nenhuma confirmação oficial da descoberta daquele que é considerado o navio mais valioso no fundo do mar, “mas apenas relatórios infundados, alegando que o naufrágio foi localizado”.

“Temos ouvido especulações e teorias, mas, desta vez, espero que seja verdade”, disse o governante, avisando que o governo estadual de Malaca irá apresentar uma reclamação do navio se os documentos sobre a descoberta forem confirmados pelo Governo indonésio.

“Gostaríamos de reclamar direitos sobre os tesouros recuperados usando canais bilaterais cordiais”, até porque, “de acordo com o facto histórico, o galeão transportava um tesouro roubado ao reino de Malaca”, afirmou Datuk Seri Idris Haron.

Como se diz, o que é nosso a nós regressa – ainda que neste caso o nós seja a Indonésia. Conservará ainda o navio português Flor do Mar o tão desejado tesouro?

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Vestido de Mármore, uma Obra para Amar – e para Lavar!

25 de Maio de 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

Um vestido de mármore, romântico, delicado, que parece leve mas não é. Parece abanar ao ar depois de desarrumado do cabide em pregas de vaidade. Parece mas não é: é um vestido de mármore, uma criação do escultor Alasdair Thomson.

Quem é, afinal este escultor talentoso e único?

Alasdair Thomson é um escultor de pedra que vive e trabalha em Edimburgo, na Escócia. Licenciado em História da Arte pela Universidade de Edimburgo, em 2004, possui igualmente um diploma de escultura do Senese Scuola Edile, adquirido em Siena, 2010. Possui uma experiência vasta e significativa na escultura  em grande escala e outros elementos decorativos em pedra.

Alasdair Thomson venceu o Prémio Escolha Popular na Royal Scottish Academy 2013, e agora aparece-nos com esta colecção de identidade maravilhosa. “The Identity Collection”, tal e qual como nas colecções de vestuário de moda, inclui vários vestidos, todos eles com nomes de mulher, inspirados em peças de roupa reais. A colecção transpira romantismo por todo o lado – romantismo e quentura, não obstante a frieza do mármore. Veja o vestido de mármore aqui ao lado. Mas há outros, muitos outros!

O material do vestido de mármore

A matéria prima das obras de visível esplendor de Alasdair Thomson é a pedra, mais propriamente o mármore carrara, o mesmo tipo de que é feito o “David” de Michelangelo.

O mármore pertence ao grupo das rochas carbonáticas, isto é, aquelas capazes de receber polimento. A composição mineralógica do mármore depende da composição química do sedimento e do grau metamórfico – o que lhe confere a possibilidade de possuir uma variedade de cores e texturas e estruturas que o torna bastante rendível na indústria de rochas ornamentais. E na arte, aqui está a prova.

A arte de Alasdair Thomson

Alasdair Thomson, ao trabalhar a pedra, explora antes a forma como os tecidos se comportam quando são pendurados e dobrados, procurando “captar a leveza e a graciosidade na pedra” ao produzir o vestido de mármore, vestidos que são obras nostálgicas e atemporais.

E se o vestido de mármore ficar, entretanto, sujo?

Bom, quem adquirir esta, ou outras, obra de arte em mármore não vai, com toda a certeza, meter o vestido de mármore na máquina de lavar. Agora deu-me riso.

  • Retire o máximo que conseguir da sujidade solta no meio das pregas com um pano limpo. Use, para o efeito, uma escova pequena, pode ser uma de dentes, para alcançar áreas de difícil acesso;
  • Encha um tanque com água quente e adicione sabão neutro para louças em quantidade suficiente  para torná-la espumosa;
  • Mergulhe a escultura, neste caso o vestido de mármore, na água. Se não tem um tanque ou não conseguir pegar no vestido mármore, molhe um pano limpo na água e passe-o na linda escultura;
  • Lave o vestido de mármore com um pano limpo ou uma esponja mergulhados na água ensaboada. Use uma escova mergulhada na mesma água para limpar os locais de difícil acesso.
  • Passe por água quente a escultura. Terá, neste caso do vestido mármore, em virtude do tamanho, de despejar a água em cima dele;
  • Por fim, seque o vestido de mármore usando uma toalha limpa e seca para remover a humidade excessiva.

Fácil, não é?

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Jornalismo Online: Uma Hiperligação de Vantagens!

18 de Março de 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

Jornalismo online, internet, tecnologia, evolução: está tudo ligado com a transformação dos meios de comunicação. A rotativa, o off-set e a paginação electrónica alteraram a imprensa; O DAB, o RDS e o transístor alteraram a rádio; a interactividade, a alta definição, os sistemas digitais e as relações com a informática e as telecomunicações modificaram a televisão.

O jornalismo online surge, então, como uma forma complementar ao jornalismo tradicional. Mais: obriga-o a adaptar-se constantemente! É a mediomorfose de Roger Fidler do jornalismo do futuro. E isto em 1997! 

Um único suporte: a internet

jornalismo onlineNa actualidade a Internet é o grande motor de convergência dos meios de comunicação, o grande suporte de todos eles, possibilitando aos jornais incorporarem recursos que antes eram exclusivos das rádios e televisões.

E não modificam a sua essência, atenção, já que o texto mantém-se como o principal suporte da informação. Viva o texto!

Não há concorrência entre o jornalismo online e o tradicional jornalismo de papel. Há, isso sim, complementaridade. Tudo isto que digo é resultado de estudos que até comprovam que muitas vezes o leitor do jornalismo online vai às bancas comprar o jornal pelo interesse que o jornal da internet lhe despertou.

Isto faz do jornalismo online um monstro – mas um monstro de conhecimento e partilha!

Qual é a grande inovação do jornalismo online?

Repare, não é apenas o acesso aos conteúdos que constituem uma novidade no jornalismo online: a possibilidade de interagir com eles, sim. Como? Através de motores de busca e da navegação; através da possibilidade de interagir com os jornalistas; através do e-mail esse grande milagre da correspondência; através da participação em fóruns de discussão propostos pelo jornal; através das caixas de comentários e da partilha nas redes sociais.

O que caracteriza exactamente o jornalismo online?

  • a interactividade entre o leitor e o jornalista;
  • o hipertexto na possibilidade de se estabelecerem ligações sucessivas entre textos e outros registos, uma individualização da informação;
  • a hipermédia: conteúdos escritos, sonoros e imagéticos tudo junto e unido;
  • a glocalidade, ou seja, a produção local porém de alcance mundial;
  • a personalização: o leitor interage sobre a forma e o conteúdo do jornal como, quando e o que quer;
  • instantaneidade, ou seja, as notícias podem ser transmitidas no momento em que são finalizadas ou em directo;
  • a apetência pela profundidade através da navegabilidade pelas hiperligações;

Mas também existem dificuldades no jornalismo online!, nomeadamente pela questão do enviesamento da informação pelo descontrolo da mensagem inicialmente produzida. Veja bem: se o hipertexto permite que o leitor ande por aí a navegar personalizando a informação, também não há garantia de que o que está a receber e a perceber, como mensagem, é mesmo o que se está a querer emitir. Mas isto será tema para outras e novas conversas.

O importante a perceber é que o jornalismo online é, sem dúvida, um acrescento altamente positivo nos meios de comunicação em geral e nos conteúdos escritos em particular.

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Fernando Pessoa aos Dezassete: Poesia e Chiclete

6 de Janeiro de 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

Uma notícia: descoberta de poemas inéditos de Fernando Pessoa

Afinal Fernando Pessoa, no início do século vinte, escreveu poesia em português. Isto nada tem de estranho, obviamente. Estranho também não é vir a lume que terá escrito poesia atacando duramente a monarquia portuguesa: estranho mesmo é a dedução de que aos dezassete anos Fernando Pessoa era um republicano convicto. Mas durante a puberdade alguém pode afirmar-se convicto no que quer que seja? Ainda para mais aquele que viria a ser um homem afectivamente perturbado e descontrolado?

Poesia em Português antes da poesia em Inglês

Fernando PessoaNo máximo, esta revelação dá-nos a certeza de que Fernando Pessoa não escrevia apenas poesia em inglês até 1906 – como estava até agora o mundo convencido – sob os heterónimos de Charles Robert Anon e Alexander Search.  Fernando Pessoa inventava jornais com intenção de os fazer circular no seio da família e era para eles que fazia a poesia em português. Esta é a descoberta que importa, apesar de pouco acrescentar à opus Pessoana.

Richard Zenith e Fernando Cabral Martins, que descobriram e abraçaram estes textos, incluíram cinco inéditos (quatro poemas completos e o início de um poema inacabado) em Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal, que a Assírio & Alvim lançará já no dia 17 de Abril na colecção Pessoa Breve, juntamente com um volume dedicado à poesia esotérica de Fernando Pessoa, co-organizado pelos mesmos autores.

Veia jacobina, inimigo da coroa e da igreja

Esta é a conclusão a que chegaram Richard Zenith e Fernando Cabral Martins após a descoberta e análise da tal poesia que Fernando Pessoa terá escrito aos dezassete anos em tom indignado e planfletário de quem não tinha perdoado à monarquia portuguesa a aceitação humilhante do Ultimato britânico de 1890.

“Abaixo a guerra, a tirania;/ Abaixo os reis, morra a Igreja./ Não haja coração que seja/ Inimigo da luz do dia!”, grita o poeta no referido poema inacabado. E noutro dos inéditos agora divulgados, lamenta-se: “(…) Com o governo que temos e o nosso rei/ Somos um carro já sem rodas.”

Mas volto a perguntar: estará a convicção política, aos dezassete anos, visível tanto nas palavras como nas borbulhas inquietas e em rebentação?

Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal: como está organizado?

Na compilação de poesia Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal,  Richard Zenith e Fernando Cabral Martins optaram por organizar os poemas por ordem cronológica, o que supostamente permite acompanhar a evolução das posições políticas e ideológicas de Fernando Pessoa.  A tal convicção aos dezassete anos será mesmo uma invenção comercial, digo eu cheia de convicção, se atendermos ao facto narrado de que Fernando Pessoa não terá visto com maus olhos a instauração do Estado Novo, embora viesse a tornar-se, no final da vida, um opositor feroz de Salazar, a quem trata por “chatazar” num poema de 1935.

No prefácio: Fernando Pessoa continuava “a escrever poesia quase unicamente em inglês, em consonância com a sua ambição literária de ombrear com Shakespeare, Milton, Shelley e Keats”. Isto aos dezassete – armado em génio das borbulhas, pois claro, e a mascar chiclete.

Ninguém pode retirar-lhe o mérito nem o talento da poesia – mas também que não haja quem queira acrescentar-lhe a genialidade que a mais não tinha.

Porque, Fernando Pessoa, antes de ser um homem adulto emocionalmente doente só pode ter sido um doente adolescente.

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Tiras cómicas de Calvin e Hobbes. Sarcasmo de Watterson

26 de Dezembro de 2018 by olinda de freitas Deixe um comentário

Bill Watterson, o criador das tiras cómicas de Calvin e Hobbes, divulgou recentemente um novo desenho destinado a servir de cartaz ao filme Stripped, co-realizado pelo cineasta Frederic Schroeder e pelo cartoonista Dave Kellett. Isto depois de ter estado quase 20 anos sem apresentar publicamente um novo trabalho.

Para onde irão as tiras de banda desenhada?

Stripped é um documentário de 85 minutos, com entrevistas inéditas a imensos cartoonistas de várias gerações, que tem por essência a seguinte pergunta: para onde irão as tiras de banda desenhada (comic strips) quando os jornais em versão papel desaparecerem? Conseguirão sobreviver no mundo digital quando os jornais, que as fizeram crescer, desaparecerem?

O cartaz de Watterson mostra, em tiras cómicas de Calvin e Hobbes, um desenhador a saltar para fora da sua roupa com o susto quando lê um jornal cuja manchete é “Bye-bye, newspapers!”. Ao canto está o seu cão, a mexer em um tablet enquanto olha para trás a ver o que se passa com o dono, Calvin envelhecido, não se tratando, de todo, de tiras cómicas de Calvin e Hobbes envelhecidas. Pelo contrário!

A nudez humana: uma diversão de se ver

“Tendo em conta o título do filme – um dos sentidos de stripped é despido – e o facto de haver poucas coisas tão divertidas como a nudez humana, a ideia surgiu-me na cabeça já bastante completa”, explicou Watterson que descreve o documentário como uma “grande carta de amor à banda desenhada“, lindo, diz que tentou “fazer uma coisa muita cartoonística”. O documentário ainda está quente – foi lançado em DVD no dia 2 Abril.

As tiras cómicas de Calvin e Hobbes: um culto

As tiras cómicas de Calvin e Hobbes, banda desenhada do precoce Calvin e do seu sarcástico tigre Hobbes, deixaram de ser desenhadas por  Watterson em 1995. Por cá, apareceram religiosamente no PÚBLICO desde o primeiro número do jornal, em Março de 1990, e as aventuras de Calvin e Hobbes tornaram-se uma tira cómica de culto.

As personagens da risota

  • Calvin: um menino de seis anos, aventureiro, que navega precocemente na sua própria imaginação;
  • Hobbes: o tigre de pelúcia que é também o maior parceiro de Calvin, a amizade perfeita entre a política e a filosofia que começa nos nomes (Calvin vem de Calvino e está associado à depravação total do homem. Já Hobbes é o nome do filósofo que tinha uma visão obscura da natureza humana);
  • A mãe e o pai de Calvin, são mesmo só pai e mãe já que nunca recebem um nome na banda desenhada;
  • Susie Derkins: é a vizinha e colega de escola de Calvin, aparentemente destinada a ter uma eterna relação de amor-ódio com ele. Bem que Wattersom podia fazer tiras cómicas de Calvin e Hobbes a desmistificar isto – ou então a depurar tanto o amor como o ódio;
  • Miss Wormwood: a professora de Calvin.
  • Rosalyn: a terrível ama de Calvin, a única e inigualável criatura disposta a aturá-lo – e a cuidar dele também.

Resumindo e concluindo: Watterson, apanha o lanço e recomeça as tiras cómicas de Calvin e Hobbes. Deixa-te de coisas e atira-te à banda desenhada.

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Um Gole de Dúvida no Caso do Vinho Conde de Oeiras

23 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Deixe um comentário

Conde de Oeiras, a marca proibida

O vinho Conde de Oeiras, marca registada pela autarquia de Oeiras em 2006, não pode ser usada. Porquê? Quem o diz é, em oposição ao Tribunal da Propriedade Intelectual, o Tribunal da Relação de Lisboa. Esta notícia foi avançada pelo Jornal Público.

Sebastião de Lorena, Conde de Oeiras, não admitiu que o vinho Conde de Oeiras tivesse o seu nome e a autarquia de Oeiras – apesar de discordar sob o argumento de que títulos nobiliárquicos estão extintos em Portugal desde 1910 – registou já o vinho Conde de Oeiras com outro nome: Villa de Oeiras. Conde ou Villa, o que interessa é mesmo a pinga, certo?

Assim nasceu o vinho Conde de Oeiras

vinho conde de oeirasTerá sido no reinado de D. José I, e sob forte influência do primeiro Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Mello e Marquês de Pombal, que o vinho produzido na sua quinta em Oeiras conheceu o seu apogeu que, “graças à sua qualidade e particularidades, iniciou o seu percurso além fronteiras tendo sido enviado à corte de Pequim como presente, por D. José”.

Em princípios do séc. XIX, aquando da sua estadia em Portugal para comandar as forças militares luso-britânicas contra o exército napoleónico, o Duque de Wellington provou-o e deu-o às tropas inglesas, que o tornaram conhecidos num dos maiores mercados internacionais. A very goog wine indeed!, há-de ter dito o Duque.

Assim se propagou a fama do vinho Conde de Oeiras ainda o Sr. Sebastião seria um esquisso de espermatozóide.

Cem anos depois: onde pára o consenso?

Cem anos depois da implantação da República não há, está visto, consenso acerca da possibilidade de uma marca que usa um título nobiliárquico ser registada sem autorização do detentor desse título.

A autarquia de Oeiras defende-se assim: “A marca que o município usou, Conde de Oeiras, não tinha intenção de se referir ao Sr. Sebastião de Lorena, o queixoso que agora ganhou a acção na justiça, mas sim à figura histórica do Marquês de Pombal, a quem foi conferido o título de Conde Oeiras no séc. XVIII, que veio a conceder foral à vila de Oeiras”.

A opinião dos Juízes

Os juízes da Relação reconhecem que as honrarias foram extintas por lei em 1910. Contudo, ressalvam, “encontram-se diversas disposições que reconhecem o seu uso em determinadas circunstâncias, não podendo deixar de se lhes atribuir alguma relevância jurídica no contexto de afirmação e de defesa do nome”, defendendo que os títulos nobiliárquicos não se confundem nem com nobreza nem com aristocracia.

O que é certo é que dão a razão ao Conde de Oeiras perante a utilização do nome do vinho Conde de Oeiras por parte da autarquia de Oeiras.

Dúvidas sobre a intenção do Conde de Oeiras

Ninguém sabe o que estará na origem de tão grande finca-pé do Conde de Oeiras relativamente ao vinho Conde de Oeiras poder ser usado pela autarquia de Oeiras. O eventual orgulho e também honra expectáveis por parte de D. Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena, o Conde de Oeiras, não existe – e o mentor da iniciativa do vinho Conde de Oeiras na autarquia, o ex-vereador José Ferreira de Matos, levanta a hipótese de o Conde de Oeiras ter na manga uma eventual pretensão de negócio. Estará o Conde de Oeiras falido?

O vinho Conde de Oeiras anda nas bocas do mundo, não para ser degustado, pelas piores razões: enquanto que o Tribunal da Propriedade Intelectual diz que a autarquia de Oeiras pode usar o nome do Conde de Oeiras, os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa asseguram que não.

Mas suspeita-se que o Conde queira ganhar uns guitos com o vinho Conde de Oeiras… será?

Arquivado em:OUTROS Marcados com:autarquia de Oeiras, comunicação social, Conde de Oeiras, D. Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena, jornal online, Jornal Público, vinho Conde de Oeiras, Vinho Villa Oeiras

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