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Língua Afiada

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Depressão Aumentou com a Crise: Governo Para a Rua. Já!

8 de Março de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

Na depressão da actualidade portuguesa há mulheres mais novas e homens mais velhos: ninguém escapa à depressão.

Entre 2004 e 2012 os estudos do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge são claros: há um aumento dos novos casos de depressão sobretudo nas mulheres com mais de 45 anos e nos homens com idades a rondar os 60 anos.

O maior crescimento

Apontam os estudos para um maior crescimento da depressão entre os homens com idades entre os 55 e os 64 anos, que passaram de perto de 300 casos em 2004 para cerca de 800, por 100 mil habitantes, em 2012. Isto significa que entre os homens são os deste grupo etário os mais afectados pela depressão.

Já no que concerne às mulheres, as idades mais atingidas pela doença passaram a ser as que têm entre os 45 e os 54 anos, com mais de 1700 casos, por cada 100 mil habitantes, contra os cerca de 1000 de 2004.

Conclusões tortas do estudo

Os especialistas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge sublinham que os resultados revelam «uma coincidência temporal entre o aumento da taxa de incidência estimada de primeiros episódios de depressão nos cuidados de saúde primários e o agravamento das condições sociais e económicas em Portugal».

Bem visto, quando é que começou a crise – ou, pelo menos, quando é que homens e mulheres portugueses começaram a sentir na pele os efeitos da política do Governo de Pedro Passos Coelho na crise europeia?

Por acaso convinha definir muito bem os períodos políticos para se ter a noção de que a depressão aumentada com a crise não terá propriamente que ver com outros governos anteriores ao actual: a depressão, o aumento dos suicídios – ou tentativas -, o aumento da criminalidade e, pois claro, o aumento das doenças do foro mental a par das físicas provocadas, por exemplo, pela má nutrição em consequência do aumento do desemprego e do assassinato do estado social, é um subproduto do Governo de Pedro Passos Coelho.

Reformulem os pressupostos dos estudo, vá lá, ou de outra forma ganham mais uma mulher a sofrer de depressão: eu.

Especialistas no bom caminho

Os especialistas dizem ainda que é preciso monitorizar a evolução da depressão e estudar a suas causas em Portugal, nomeadamente porque existe evidência cientifica de que «em contexto de crise os homens estão em maior risco de desenvolver doenças mentais».

Talvez se explique, digo eu, pela cultura daquilo que é ser o homem da casa e o chefe da família. Digam-me lá, homens que me estão a ler, não é desesperante chegar a casa – ou será, neste momento, mais não chegar a sair de casa – sem poder comprar os livros para a escola nem as sapatilhas já rotas do seu filho? Pois. É que as mulheres, não me levem a mal, lidam bem melhor com os problemas (e isto apesar dos aumentos referidos nos estudos se referirem à depressão em homens na casa dos sessenta e a mulheres na dos cinquenta).

Futuro

A cura da depressão, ou pelo menos a sua travagem, está no futuro – nos votos para a eleição de políticos competentes e conscientes.

O bastonário da Ordem dos Psicólogos explica que os resultados deste estudo fazem sentido com a realidade sentida pelos psicólogos que notam, por exemplo, um aumento da procura nos serviços públicos de pessoas atingidas pela depressão e relaciona a doença com o desemprego.

Explica ainda que a depressão está, com frequência, associada à falta de esperança no futuro, numa altura em que estas pessoas sabem que ficar sem trabalho nestas idades pode ser um problema ainda mais sério do para quem é mais novo.

Filed Under: OUTROS Tagged With: Bastonário dos psicólogos, comunicação social, Depressão, Governo de Pedro Passos Coelho, Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, jornal online, TSF

Fernando Pessoa aos Dezassete: Poesia e Chiclete

6 de Janeiro de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

Uma notícia: descoberta de poemas inéditos de Fernando Pessoa

Afinal Fernando Pessoa, no início do século vinte, escreveu poesia em português. Isto nada tem de estranho, obviamente. Estranho também não é vir a lume que terá escrito poesia atacando duramente a monarquia portuguesa: estranho mesmo é a dedução de que aos dezassete anos Fernando Pessoa era um republicano convicto. Mas durante a puberdade alguém pode afirmar-se convicto no que quer que seja? Ainda para mais aquele que viria a ser um homem afectivamente perturbado e descontrolado?

Poesia em Português antes da poesia em Inglês

Fernando PessoaNo máximo, esta revelação dá-nos a certeza de que Fernando Pessoa não escrevia apenas poesia em inglês até 1906 – como estava até agora o mundo convencido – sob os heterónimos de Charles Robert Anon e Alexander Search.  Fernando Pessoa inventava jornais com intenção de os fazer circular no seio da família e era para eles que fazia a poesia em português. Esta é a descoberta que importa, apesar de pouco acrescentar à opus Pessoana.

Richard Zenith e Fernando Cabral Martins, que descobriram e abraçaram estes textos, incluíram cinco inéditos (quatro poemas completos e o início de um poema inacabado) em Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal, que a Assírio & Alvim lançará já no dia 17 de Abril na colecção Pessoa Breve, juntamente com um volume dedicado à poesia esotérica de Fernando Pessoa, co-organizado pelos mesmos autores.

Veia jacobina, inimigo da coroa e da igreja

Esta é a conclusão a que chegaram Richard Zenith e Fernando Cabral Martins após a descoberta e análise da tal poesia que Fernando Pessoa terá escrito aos dezassete anos em tom indignado e planfletário de quem não tinha perdoado à monarquia portuguesa a aceitação humilhante do Ultimato britânico de 1890.

“Abaixo a guerra, a tirania;/ Abaixo os reis, morra a Igreja./ Não haja coração que seja/ Inimigo da luz do dia!”, grita o poeta no referido poema inacabado. E noutro dos inéditos agora divulgados, lamenta-se: “(…) Com o governo que temos e o nosso rei/ Somos um carro já sem rodas.”

Mas volto a perguntar: estará a convicção política, aos dezassete anos, visível tanto nas palavras como nas borbulhas inquietas e em rebentação?

Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal: como está organizado?

Na compilação de poesia Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal,  Richard Zenith e Fernando Cabral Martins optaram por organizar os poemas por ordem cronológica, o que supostamente permite acompanhar a evolução das posições políticas e ideológicas de Fernando Pessoa.  A tal convicção aos dezassete anos será mesmo uma invenção comercial, digo eu cheia de convicção, se atendermos ao facto narrado de que Fernando Pessoa não terá visto com maus olhos a instauração do Estado Novo, embora viesse a tornar-se, no final da vida, um opositor feroz de Salazar, a quem trata por “chatazar” num poema de 1935.

No prefácio: Fernando Pessoa continuava “a escrever poesia quase unicamente em inglês, em consonância com a sua ambição literária de ombrear com Shakespeare, Milton, Shelley e Keats”. Isto aos dezassete – armado em génio das borbulhas, pois claro, e a mascar chiclete.

Ninguém pode retirar-lhe o mérito nem o talento da poesia – mas também que não haja quem queira acrescentar-lhe a genialidade que a mais não tinha.

Porque, Fernando Pessoa, antes de ser um homem adulto emocionalmente doente só pode ter sido um doente adolescente.

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Tiras cómicas de Calvin e Hobbes. Sarcasmo de Watterson

26 de Dezembro de 2018 by olinda de freitas Leave a Comment

Bill Watterson, o criador das tiras cómicas de Calvin e Hobbes, divulgou recentemente um novo desenho destinado a servir de cartaz ao filme Stripped, co-realizado pelo cineasta Frederic Schroeder e pelo cartoonista Dave Kellett. Isto depois de ter estado quase 20 anos sem apresentar publicamente um novo trabalho.

Para onde irão as tiras de banda desenhada?

Stripped é um documentário de 85 minutos, com entrevistas inéditas a imensos cartoonistas de várias gerações, que tem por essência a seguinte pergunta: para onde irão as tiras de banda desenhada (comic strips) quando os jornais em versão papel desaparecerem? Conseguirão sobreviver no mundo digital quando os jornais, que as fizeram crescer, desaparecerem?

O cartaz de Watterson mostra, em tiras cómicas de Calvin e Hobbes, um desenhador a saltar para fora da sua roupa com o susto quando lê um jornal cuja manchete é “Bye-bye, newspapers!”. Ao canto está o seu cão, a mexer em um tablet enquanto olha para trás a ver o que se passa com o dono, Calvin envelhecido, não se tratando, de todo, de tiras cómicas de Calvin e Hobbes envelhecidas. Pelo contrário!

A nudez humana: uma diversão de se ver

“Tendo em conta o título do filme – um dos sentidos de stripped é despido – e o facto de haver poucas coisas tão divertidas como a nudez humana, a ideia surgiu-me na cabeça já bastante completa”, explicou Watterson que descreve o documentário como uma “grande carta de amor à banda desenhada“, lindo, diz que tentou “fazer uma coisa muita cartoonística”. O documentário ainda está quente – foi lançado em DVD no dia 2 Abril.

As tiras cómicas de Calvin e Hobbes: um culto

As tiras cómicas de Calvin e Hobbes, banda desenhada do precoce Calvin e do seu sarcástico tigre Hobbes, deixaram de ser desenhadas por  Watterson em 1995. Por cá, apareceram religiosamente no PÚBLICO desde o primeiro número do jornal, em Março de 1990, e as aventuras de Calvin e Hobbes tornaram-se uma tira cómica de culto.

As personagens da risota

  • Calvin: um menino de seis anos, aventureiro, que navega precocemente na sua própria imaginação;
  • Hobbes: o tigre de pelúcia que é também o maior parceiro de Calvin, a amizade perfeita entre a política e a filosofia que começa nos nomes (Calvin vem de Calvino e está associado à depravação total do homem. Já Hobbes é o nome do filósofo que tinha uma visão obscura da natureza humana);
  • A mãe e o pai de Calvin, são mesmo só pai e mãe já que nunca recebem um nome na banda desenhada;
  • Susie Derkins: é a vizinha e colega de escola de Calvin, aparentemente destinada a ter uma eterna relação de amor-ódio com ele. Bem que Wattersom podia fazer tiras cómicas de Calvin e Hobbes a desmistificar isto – ou então a depurar tanto o amor como o ódio;
  • Miss Wormwood: a professora de Calvin.
  • Rosalyn: a terrível ama de Calvin, a única e inigualável criatura disposta a aturá-lo – e a cuidar dele também.

Resumindo e concluindo: Watterson, apanha o lanço e recomeça as tiras cómicas de Calvin e Hobbes. Deixa-te de coisas e atira-te à banda desenhada.

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Um Gole de Dúvida no Caso do Vinho Conde de Oeiras

23 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Leave a Comment

Conde de Oeiras, a marca proibida

O vinho Conde de Oeiras, marca registada pela autarquia de Oeiras em 2006, não pode ser usada. Porquê? Quem o diz é, em oposição ao Tribunal da Propriedade Intelectual, o Tribunal da Relação de Lisboa. Esta notícia foi avançada pelo Jornal Público.

Sebastião de Lorena, Conde de Oeiras, não admitiu que o vinho Conde de Oeiras tivesse o seu nome e a autarquia de Oeiras – apesar de discordar sob o argumento de que títulos nobiliárquicos estão extintos em Portugal desde 1910 – registou já o vinho Conde de Oeiras com outro nome: Villa de Oeiras. Conde ou Villa, o que interessa é mesmo a pinga, certo?

Assim nasceu o vinho Conde de Oeiras

vinho conde de oeirasTerá sido no reinado de D. José I, e sob forte influência do primeiro Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Mello e Marquês de Pombal, que o vinho produzido na sua quinta em Oeiras conheceu o seu apogeu que, “graças à sua qualidade e particularidades, iniciou o seu percurso além fronteiras tendo sido enviado à corte de Pequim como presente, por D. José”.

Em princípios do séc. XIX, aquando da sua estadia em Portugal para comandar as forças militares luso-britânicas contra o exército napoleónico, o Duque de Wellington provou-o e deu-o às tropas inglesas, que o tornaram conhecidos num dos maiores mercados internacionais. A very goog wine indeed!, há-de ter dito o Duque.

Assim se propagou a fama do vinho Conde de Oeiras ainda o Sr. Sebastião seria um esquisso de espermatozóide.

Cem anos depois: onde pára o consenso?

Cem anos depois da implantação da República não há, está visto, consenso acerca da possibilidade de uma marca que usa um título nobiliárquico ser registada sem autorização do detentor desse título.

A autarquia de Oeiras defende-se assim: “A marca que o município usou, Conde de Oeiras, não tinha intenção de se referir ao Sr. Sebastião de Lorena, o queixoso que agora ganhou a acção na justiça, mas sim à figura histórica do Marquês de Pombal, a quem foi conferido o título de Conde Oeiras no séc. XVIII, que veio a conceder foral à vila de Oeiras”.

A opinião dos Juízes

Os juízes da Relação reconhecem que as honrarias foram extintas por lei em 1910. Contudo, ressalvam, “encontram-se diversas disposições que reconhecem o seu uso em determinadas circunstâncias, não podendo deixar de se lhes atribuir alguma relevância jurídica no contexto de afirmação e de defesa do nome”, defendendo que os títulos nobiliárquicos não se confundem nem com nobreza nem com aristocracia.

O que é certo é que dão a razão ao Conde de Oeiras perante a utilização do nome do vinho Conde de Oeiras por parte da autarquia de Oeiras.

Dúvidas sobre a intenção do Conde de Oeiras

Ninguém sabe o que estará na origem de tão grande finca-pé do Conde de Oeiras relativamente ao vinho Conde de Oeiras poder ser usado pela autarquia de Oeiras. O eventual orgulho e também honra expectáveis por parte de D. Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena, o Conde de Oeiras, não existe – e o mentor da iniciativa do vinho Conde de Oeiras na autarquia, o ex-vereador José Ferreira de Matos, levanta a hipótese de o Conde de Oeiras ter na manga uma eventual pretensão de negócio. Estará o Conde de Oeiras falido?

O vinho Conde de Oeiras anda nas bocas do mundo, não para ser degustado, pelas piores razões: enquanto que o Tribunal da Propriedade Intelectual diz que a autarquia de Oeiras pode usar o nome do Conde de Oeiras, os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa asseguram que não.

Mas suspeita-se que o Conde queira ganhar uns guitos com o vinho Conde de Oeiras… será?

Filed Under: OUTROS Tagged With: autarquia de Oeiras, comunicação social, Conde de Oeiras, D. Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena, jornal online, Jornal Público, vinho Conde de Oeiras, Vinho Villa Oeiras

Mercado Lionesa: Diversidade e Diversão em Matosinhos

18 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Leave a Comment

Mercado Lionesa, já ouviu falar nas notícias? Olhe é mesmo inaugurado hoje, estamos a 11 de Abril de 2014, em Matosinhos. Trata-se de um novo mercado ao ar livre, precisamente na Rua da Lionesa, com diversidade alimentar, literatura e eventos culturais – um espaço inspirado nos conceitos de street food e street market. Um estrangeirismo em acção, portanto, aberto de segunda a sábado das 10h às 19h com a possibilidade de organização de jantares e eventos no mercado mediante marcação prévia.

Matosinhos, cidade valorizada

Mercado LionesaO Mercado Lionesa possui uma área superior a 600 metros quadrados, em muito inspirado na Rua da Lionesa, em Leça do Balio, na cidade de Matosinhos.

Neste mercado há barracas de praia onde os mercadores se vão instalar, a um contentor marítimo que “vai servir de área técnica aos mercadores da parte da alimentação, e que trará também a imagem do Porto de Leixões.” O objectivo é recriar o ambiente ligado ao mar, característico da cidade de Matosinhos.

Dupla inauguração

Ao maior mural de arte urbana do Norte, num muro de 1400 m2 que pertence à empresa Unicer, de Grafitti/Street Art, junta-se o Mercado Lionesa, ambas inaugurações na mesma rua da cidade de Matosinhos.

Mas centremo-nos no Mercado Lionesa. Diversidade para os visitantes: marcas de alimentação como Shika Street Food Project, Comida de Rua, Go Natural e alguns espaços de degustação, nomeadamente de ostras e espumante. Estarão também presentes marcas de moda e cabeleiro, vestuário infantil, bijuteria e livros tais como Anjos Urbanos, Bazar da Lapa, Lovely Bazar, Fun&Fun, Ethnic-Chic, Rosa com Canela, Livraria Lello, Fyodor Books, Kyos Press Center, Smart Lunch, Portugal Enlatado, Oficina do Alfredo, Z”s, Stop and Go, entre outras.

Viviana, responsável pelo marketing do Mercado Lionesa em Matosinhos, esclarece que “há marcas que vêm pela primeira vez do “online” para o “cara-a-cara”, assim como outras que já estão consolidadas no mercado, mas que também estarão connosco.”

Acrescenta ainda que o valor pago pelos mercadores para a presença no Mercado é “simbólico, irrisório”: “A Lionesa está a apostar na consolidação neste projecto, e quer permitir às marcas do online que tenham acesso à possibilidade de ter um espaço físico”, explica a responsável.

A semelhança com o Mercado Bom Sucesso no Porto

A semelhança do Mercado Lionesa em Matosinhos com o Mercado Bom Sucesso no Porto é imensa: também neste último se juntam, num só espaço, o bom gosto e a diversidade de saberes e sabores entre gastronomia, animação cultural, workshops, mercado de frescos.

É esta tendência de mistura de actividades manuais e intelectuais que tem vindo a definir a expressão cultural um pouco por todo o lado: na base estará a oferta diversificada de lazer e diversão que tenciona quebrar a monotonia rotineira do dia a dia dos portugueses – assim como mostrar-lhes que a vida não é, não pode ser, apenas dias cansados de dificuldades e perspectivas tristes.

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Comunicação de Massa: A Internet que Faz Duvidar…

16 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Leave a Comment

Definir a comunicação de massa que possa ser a internet, pressupõe a detecção de outras formas de comunicação. 

Quais?

  • na intracomunicação, explicada pela Psicologia, a pessoa conversa com si mesma;
  • a comunicação interpessoal proporciona-se por um diálogo entre duas pessoas;
  • a comunicação grupal ocorre quando há interacção entre mais de duas pessoas (é o exemplo de uma palestra ou de uma conferência de imprensa);
  • a comunicação de massa, que é exercida através de veículos de comunicação.

Como definir, então, a comunicação de massa?

A comunicação de massa teve origem na urbanização massiva que foi ocorrendo ao longo do século XIX e graças à segunda Revolução Industrial. Perante este fenómeno, começou a haver uma dificuldade – ou até mesmo um impedimento – de comunicação directa entre as pessoas, o que passou a depender de intermediários.

E quem são os intermediários? Jornalistas que procuram, tratam e divulgam a informação e as tecnologias que passaram a distribuir a tal informação.

Estará aqui o cerne da questão do que é a comunicação de massa?

Será a internet um meio de comunicação de massa?

Há quem considere que a comunicação de massa opera apenas em um sentido – o sentido emissor – não havendo retorno imediato do receptor, como será o caso da rádio, dos jornais tradicionais e da televisão que – possibilitando a interactividade – não chegam aos calcanhares daquilo que é estar em rede.

Outras definições de comunicação de massa incluem a pluralidade de indivíduos receptores no processo comunicacional. Mas como definir massa? Quem é a massa? Importará a quantidade de indivíduos destinatários da mensagem ou antes a disponibilidade da mensagem para um número não facilmente determinável de indivíduos?

Em outra perspectiva, alguns autores divergem completamente da ideia de que, em teoria hipodérmica, os indivíduos não são massa. Isto quer simplesmente dizer que somos todos diferentes e activos, ou seja, não estamos passivamente expostos aos meios de comunicação.

A comunicação de massa

está, portanto, bastante ligada a certos tipos de media, nomeadamente aos jornais de grande circulação, à televisão e rádio. No entanto, os cenários digitais vieram acrescentar algo novo: a flexibilidade da  comunicação e da informação.

Na internet os utilizadores não são apenas consumidores de informação: são também autores. Aqui há a possibilidade de interactividade instantânea. E não é este papel o oposto ao de um meio de comunicação de massa?

Há um autor, Trivinho, que considera o computador como um veículo de “televiagem comunicacional-interactiva”, sendo o hardware emissor e receptor respondendo também pelo feedback. Ora é precisamente o feedback que gera discussão sobre o assunto da comunicação de massa.

Em uma perspectiva mais tradicional e clássica o público receptor sempre foi anónimo em si mesmo e para o emissor e, quando muito, realizavam-se relatórios de pesquisas de audiências. Mas e agora?

A verdade é que é a tecnologia, nas suas novas formas de procurar, armazenar e transmitir informação, que lidera e dita a comunicação de massa.

Indiscutivelmente tudo é diferente na era digital – inclusive a comunicação de massa!

Dúvidas, muitas dúvidas

Será que as novas tecnologias estão adequadas à definição de meios de comunicação de massa? A teoria da comunicação de massa relacionada com os meios digitais indica elementos de mudanças de paradigma no processo comunicacional. As questões que colocam a Internet como veículo de comunicação de massa no centro das dúvidas são muitas: nem toda a gente tem acesso à rede, ou seja, existem ainda muitos excluídos digitais!

Aferir se a internet é ou não um meio de comunicação de massa parece ser fácil mas com tendência a complicar.

Em causa estarão as visões tradicionais sobre a própria comunicação em si e talvez alguma renitência em colocá-la bem na frente da televisão, da rádio ou da imprensa escrita.

Filed Under: OUTROS Tagged With: comunicação, comunicação de massa, comunicação social, internet, meio de comunicação

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