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Alargamento do Campo Jornalístico: Hipóteses Emergentes

23 de Abril de 2020 by olinda de freitas Leave a Comment

alargamento do campo jornalísticoO alargamento do campo jornalístico constitui uma realidade perfeitamente actual, o que quer dizer que o sistema de encadeamento da informação deixou de seguir um padrão de cima para baixo, em que quem detinha meios de produção e circulação seleccionava e organizava as informações para uma massa de consumidores. Há agora espaço para formas mais dispersas de comunicação em que todos podem publicar, consumir, colaborar e compartilhar.

Hoje vive-se em um ambiente em que a informação atravessa a própria experiência social: as formas de jornalismo emergentes

Perante esta nova realidade, em que a informação se faz permear a própria experiência social, Antonio Sofi (2006) propõe três hipóteses, a partir das relações entre os veículos tradicionais e os meios sociais, de alargamento do campo jornalístico.

A primeira hipótese no alargamento do campo jornalístico é a emergência de uma forma de jornalismo difuso que se baseia, principalmente, na possibilidade de publicação de conteúdo informativo por qualquer indivíduo que se pode acrescentar a possibilidade de produção e edição colectiva.

A principal característica deste jornalismo difuso, participativo, tem que ver com a reportagem directa dos factos.

A segunda hipótese neste alargamento de campo jornalístico está associada à liberdade de selecção de conteúdo, na qual o mesmo autor destaca a relevância dada a temas que não tiveram visibilidade em outros espaços.

Trata-se, bem visto, de um jornalismo residual ou lateral dos meios de comunicação, de desenvolver uma actividade de recuperação da “informação marginalizada pelos critérios de noticiabilidade clássicos”.

Por fim, mas não menos importante, há um jornalismo de aprofundamento a partir da colaboração e aprofundamento horizontal e vertical – horizontal porque permite atingir nichos pela incorporação e a abrangência de novos temas à cobertura de temas de menor visibilidade; e vertical porque permite ampliar as notícias acrescentando-se informações, interpretações e contextos novos ultrapassando-se, desta feita, a superficialidade dos factos.

Hipóteses do alargamento do campo jornalístico questionadas pelas organizações jornalísticas das tecnologias de participação

O questionamento das hipóteses de alargamento do campo jornalístico tem sido constantes, pelas organizações jornalísticas das tecnologias de participação, devido às utilizações e apropriações feitas pelos utilizadores de blogues, redes sociais e também pela publicação de conteúdo produzido por utilizadores.

Surge então a questão de como adequar a tecnologia a padrões e normas do campo jornalístico: a normatização. Há um estudo acerca de blogs jornalísticos em que são identificadas algumas das características intrínsecas ao formato que estão a perder força uma vez que são incorporados à produção jornalística…

Para aprofundar este assunto consultar a Dissertação de Mestrado O leitor na notícia: participação no jornalismo, normatização e alargamento do campo mediático. Salvador, 2012.

Fonte da imagem

Filed Under: IMPRENSA ESCRITA, RADIO, TELEVISÃO Tagged With: alargamento do campo jornalístico, comunicação, comunicação social, jornalismo difuso, jornalismo participativo, meio de comunicação, organizações jornalísticas das tecnologias de participação

Comunicação de Massa: A Internet que Faz Duvidar…

16 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Leave a Comment

Definir a comunicação de massa que possa ser a internet, pressupõe a detecção de outras formas de comunicação. 

Quais?

  • na intracomunicação, explicada pela Psicologia, a pessoa conversa com si mesma;
  • a comunicação interpessoal proporciona-se por um diálogo entre duas pessoas;
  • a comunicação grupal ocorre quando há interacção entre mais de duas pessoas (é o exemplo de uma palestra ou de uma conferência de imprensa);
  • a comunicação de massa, que é exercida através de veículos de comunicação.

Como definir, então, a comunicação de massa?

A comunicação de massa teve origem na urbanização massiva que foi ocorrendo ao longo do século XIX e graças à segunda Revolução Industrial. Perante este fenómeno, começou a haver uma dificuldade – ou até mesmo um impedimento – de comunicação directa entre as pessoas, o que passou a depender de intermediários.

E quem são os intermediários? Jornalistas que procuram, tratam e divulgam a informação e as tecnologias que passaram a distribuir a tal informação.

Estará aqui o cerne da questão do que é a comunicação de massa?

Será a internet um meio de comunicação de massa?

Há quem considere que a comunicação de massa opera apenas em um sentido – o sentido emissor – não havendo retorno imediato do receptor, como será o caso da rádio, dos jornais tradicionais e da televisão que – possibilitando a interactividade – não chegam aos calcanhares daquilo que é estar em rede.

Outras definições de comunicação de massa incluem a pluralidade de indivíduos receptores no processo comunicacional. Mas como definir massa? Quem é a massa? Importará a quantidade de indivíduos destinatários da mensagem ou antes a disponibilidade da mensagem para um número não facilmente determinável de indivíduos?

Em outra perspectiva, alguns autores divergem completamente da ideia de que, em teoria hipodérmica, os indivíduos não são massa. Isto quer simplesmente dizer que somos todos diferentes e activos, ou seja, não estamos passivamente expostos aos meios de comunicação.

A comunicação de massa

está, portanto, bastante ligada a certos tipos de media, nomeadamente aos jornais de grande circulação, à televisão e rádio. No entanto, os cenários digitais vieram acrescentar algo novo: a flexibilidade da  comunicação e da informação.

Na internet os utilizadores não são apenas consumidores de informação: são também autores. Aqui há a possibilidade de interactividade instantânea. E não é este papel o oposto ao de um meio de comunicação de massa?

Há um autor, Trivinho, que considera o computador como um veículo de “televiagem comunicacional-interactiva”, sendo o hardware emissor e receptor respondendo também pelo feedback. Ora é precisamente o feedback que gera discussão sobre o assunto da comunicação de massa.

Em uma perspectiva mais tradicional e clássica o público receptor sempre foi anónimo em si mesmo e para o emissor e, quando muito, realizavam-se relatórios de pesquisas de audiências. Mas e agora?

A verdade é que é a tecnologia, nas suas novas formas de procurar, armazenar e transmitir informação, que lidera e dita a comunicação de massa.

Indiscutivelmente tudo é diferente na era digital – inclusive a comunicação de massa!

Dúvidas, muitas dúvidas

Será que as novas tecnologias estão adequadas à definição de meios de comunicação de massa? A teoria da comunicação de massa relacionada com os meios digitais indica elementos de mudanças de paradigma no processo comunicacional. As questões que colocam a Internet como veículo de comunicação de massa no centro das dúvidas são muitas: nem toda a gente tem acesso à rede, ou seja, existem ainda muitos excluídos digitais!

Aferir se a internet é ou não um meio de comunicação de massa parece ser fácil mas com tendência a complicar.

Em causa estarão as visões tradicionais sobre a própria comunicação em si e talvez alguma renitência em colocá-la bem na frente da televisão, da rádio ou da imprensa escrita.

Filed Under: OUTROS Tagged With: comunicação, comunicação de massa, comunicação social, internet, meio de comunicação

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