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Língua Afiada

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Política e Jornalismo: Siameses Presentes e Futuros

5 de Fevereiro de 2020 by olinda de freitas Leave a Comment

Política e jornalismo: que abordagens alternativas existem? Como fazer jornalismo político? Alguns autores abraçam a ideia de que apenas as chamadas hard news podem ser consideradas como política já que a ciência política põe de lado outras formas de jornalismo – de noticiar o interesse humano – como os programas de entretenimento, ou o que se vai passando na internet, como contributos nas escolhas políticas dos cidadãos.

A verdade é que a ciência política limita bastante as definições sobre o que é jornalismo: política e jornalismo, ou a dimensão política do jornalismo, por desenvolver.

Partidos políticos e jornalismo

Política e jornalismoOutros autores conseguem relacionar as mudanças sociais, inclusive nos media e no jornalismo, com o enfraquecimento dos partidos políticos enquanto forças que mobilizam os cidadãos para a defesa dos seus interesses.

Mas também não explicam grande coisa, a não ser darem o exemplo das campanhas eleitorais na crescente dependência dos políticos relativamente aos media: política e jornalismo próximos mas não de mãos dadas.

Democracia, política, nas bocas do jornalismo

Diversos investigadores do século passado começaram a colocar os media no centro do novo sistema político. Questões como a liberdade de expressão ou o impacte das práticas jornalísticas no processo político são preocupações desta abordagem.

De que maneira o jornalismo afecta a democracia? A noção de que a imprensa pode existir como veículo não intencional de propaganda política e partidária e de que a agenda pública é influenciada pela agenda dos media assumem uma importância preponderante – e crescente quando o assunto é política e jornalismo.

Este argumento terá sido enriquecido por várias expressões que foram, e vão, sendo usadas:

  • idade da imprensa-política (Kalb, 1992);
  • media politics (Arterton, 1985);
  • política mediática (Bennett et al., 1994);
  • sociedade dominada pelo complexo media-política (Swanson, 1990). 

Política e jornalismo

Temos, então, como pressupostos, que são também consequências, do conjunto política e jornalismo, deste novo centro no sistema político:

  • em primeiro lugar os media passaram a deter posições importantes e fulcrais no campo político – especialmente a televisão e os jornais. E o que é certo é que as políticas editoriais não se regem, necessariamente, pelo interesse público;
  • em segundo lugar, esta situação de destaque dos media obriga os políticos que, naturalmente, desejam atrair a atenção e o apoio dos eleitores a fazer tudo para interessar os jornalistas que, por sua vez, não estão necessariamente vocacionados para a política. Há aqui um jogo forte de interesses que é também fonte de desinteresse; 
  • em terceiro lugar, as estratégias políticas conduzem à profissionalização da produção e disseminação das mensagens – o que dá origem a uma complexa rede de relações entre, por um lado, políticos e conselheiros de comunicação e, por outro, os jornalistas.

Política, jornalismo, jornalismo político, política jornalística: política e jornalismo andam ligados, isso é certo, não obstante as abordagens e as interpretações que lhes possam dar.

Seria a mesma coisa aquilo de fazer pelo bem comum sem os media? Ou, em outra perspectiva, faria sentido fazer jornalismo sem levar em conta o que é trabalhar o bem comum da Cidade?

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Jornalismo Político: Poder (IR)Responsável a Valer?

30 de Janeiro de 2020 by olinda de freitas Leave a Comment

O jornalismo político é, sem dúvida, o sublinhar das ligações que existem entre a imprensa, o público e a política. O mesmo será enfatizar os efeitos do jornalismo, que desempenha um papel político na sociedade, na opinião pública.

Jornalismo: o quarto poder

No mundo contemporâneo, a dimensão política do jornalismo é a que afirma com convicção de que o jornalismo constitui um quarto poder, uma ideia introduzida no século dezoito com a evolução das formas modernas de democracia. Naquela altura era suposto que a imprensa funcionasse como guardiã da democracia e defensora do interesse público. Nos nossos dias, o quarto poder é sinónimo de equilíbrio dos outros três poderes: o executivo, o judicial e o legislativo.

O jornalismo político é, de facto, poderoso. 

Opinião pública no saco do quarto poder

Ligadíssima ao quarto poder está a opinião pública naquilo que é o debate político e a decisão política em uma relação do jornalismo com o mundo político: o jornalismo político.

Políticos e jornalistas possuem uma relação simbiótica desde o século dezanove quando os partidos começaram a ser detentores dos jornais. Hoje, a assessoria é imprescindível e os políticos e os jornalistas já não passam uns sem os outros – estes últimos são uma espécie de actores políticos, o que faz do jornalismo uma instituição política e dos media instrumentos políticos.

Resultará tudo isto em uma ameaça à democracia?

O que é e deve ser o jornalismo na prática?

Genericamente a investigação sobre o jornalismo político segue três sentidos, em que cada um deles encara de uma maneira distinta os diferentes níveis da prática jornalística. Em comum, encontra-se a preocupação sobre o que o jornalismo político é, afinal, na prática, e o que deve ser:

  • jornalismo políticointeracção entre jornalistas e fontes;
  • intercessão do jornalismo com o mundo político e com as audiências;

Aqui a questão central é a forma como o jornalismo afecta a democracia e a noção de que a imprensa pode existir como veículo não intencional de propaganda política e partidária – além de que a agenda pública é influenciada ciada pela agenda dos media. Nesta perspectiva, é suposto que o jornalismo esteja livre de coerção política e possua credibilidade, actuando como observador imparcial da actividade política em defesa do interesse público. 

  • tipologias de interacção de larga escala.

Aqui pretende-se uma descrição do jornalismo político, dos processos jornalísticos sob diferentes sistemas políticos, uma avaliação da eficácia do jornalismo em diferentes contextos políticos. Um dos clássicos desta abordagem é o livro Four Theories of the Press.

Four Theories of the Press: o jornalismo é eficaz?

Em Four Theories of the Press os autores defendem a ideia de que os media actuam de acordo com as estruturas sociais e políticas das sociedades em que se inserem. Ora tal reflecte os seus sistemas de controlo social. Classificando os sistemas mediáticos de acordo com o sistema de governo dominante, os autores apresentam quatro teorias para o jornalismo político:

  • a teoria autoritária, em que o poder absoluto restringe o uso dos media;
  • a teoria libertária, em que os media se constituem como um meio de chegar à verdade em um mercado livre de ideias;
  • a teoria totalitária/soviética, na qual o jornalismo é controlado através de uma vigilância inspirada pelo pensamento marxista;
  • a teoria da responsabilidade social.

Nesta última teoria há o enquadramento do jornalismo numa ética profissional com capacidade para expor conflitos. Convém salientar que a doutrina da responsabilidade social, que emergiu no século dezanove mas terá sido reformulada nos anos 50, terá resultado da seguinte acção jornalística:

  • das críticas de subordinação da imprensa aos negócios;
  • da influência da publicidade nos conteúdos jornalísticos;
  • da exploração do fait-divers e dos atentados à vida privada e à moralidade pública.

O jornalismo político desenrola-se em paralelo com a política, o público e opinião pública. Aferir se o faz da melhor forma é completamente subjectivo. Mas o importante mesmo é dar uma pincelada de reflexão a estas questões…

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Jornalismo na Era Digital: Mais Olhos e Mais Ouvidos!

24 de Janeiro de 2020 by olinda de freitas Leave a Comment

O jornalismo na era digital é, de facto, muito diferente. A sociedade de informação digital, nomeadamente pelo avanço das novas tecnologias, acarretou mudanças no paradigma comunicacional e, por conseguinte, no jornalismo. O pensamento linear de outrora começava a dar lugar ao hipertextual do ciberespaço – um mundo globalizado com novos espaços, novas relações e nova estrutura de poder: nascia o jornalismo na era digital.

As transformações ideológicas do Jornalismo

Ao longo dos tempos, o jornalismo foi adquirindo diferentes nuances ideológicas:

  • jornalismo na era digitalImprensa opinativa, ideológica ou de partido caracterizava o século dezanove;
  • Notícias factuais, destacando artigos com histórias de vida, terá sido a novidade dos anos trinta nos EUA: surgia o The World, com uma linguagem acessível, clara, simples, precisa e com ênfase no conteúdo;
  • As guerras do século vinte vincaram a descrição e a interpretação das notícias no jornalismo;
  • A partir dos anos sessenta, o jornalismo evoluía para um modelo mais analítico devido, em parte, à especialização dos jornalistas que rapidamente começaram a ser os intérpretes da realidade com a força do jornalismo de investigação;
  • Estávamos nos anos oitenta e surgiam as novas tecnologias da informação na comunicação, dando espaço a um outro veículo informativo: os meios online.

Surgia o jornalismo na era digital e, na imprensa, os grandes grupos multimediáticos começavam a substituir as empresas monomédia.

Quais são, então, as características do jornalismo na era digital?

O jornalismo na era digital assume uma grande potencialidade: a de poder ser instantâneo. O jornalismo online possui, de acordo com alguns autores, seis elementos característicos:

  • a multimídialidade/convergência;
  • interactividade;
  • hipertextualidade;
  • personalização;
  • memória;
  • actualização.

A volatilidade da Imprensa

Não há dúvidas acerca do carácter volátil da imprensa perante a inovação tecnológica, até porque se assume que perante esta última há sempre uma alteração na produção de conteúdo e igualmente na sua recepção.

O jornalismo na era digital consegue reunir todas as características de todos os meios de informação: a escrita com a possibilidade de audição e com apelo visual. Fantástico, não?

Existem, no entanto, correntes que atestam que o grande jornalismo, o anterior ao jornalismo na era digital, foi ficando para trás pela superficialidade que o actual, e mais recente, apresenta. Tudo é, obviamente, passível de ser discutido e em todas a áreas e em todos os tempos há correntes que contradizem o óbvio – assim como grupos de interesse que camuflam, pelo geral, as suas posições bem particulares.

Adiante: é inegável a grande vantagem, que é o acesso à informação, na era digital!

Foram muitos os estilos e as ideologias que a imprensa escrita foi assumindo no tempo até aos dias de jornalismo na era digital.

O jornalismo, de hoje, à riqueza das palavras acrescenta-lhes som e imagem – e a instantaneidade que lhe confere permite-nos uma fruição plena. Já tinha pensado nisto?

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Deontologia do jornalista – jura que não faz metajornalismo?

20 de Outubro de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

O Código Deontológico

Qualquer jornalista, quero dizer todos os jornalistas portugueses, detentor de Carteira Profissional, rege-se por um Código Deontológico – abaixo mencionado:

  1. jornalista e jornalismoO jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.
  2. O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.
  3. O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.
  4. O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.
  5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.
  6. O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.
  7. O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.
  8. O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.
  9. O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.
  10. O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

A regulação da comunicação social em Portugal está prevista no artigo 39º da Constituição da República Portuguesa. A Lei nº1/99 de 13 de Janeiro é a Lei fundamental para o exercício da profissão de jornalista em Portugal. A Lei de imprensa é regulamentada pela Lei nº2/99 de 13 de Janeiro.

Metajornalismo Vs Jornalismo

Não é novidade que hoje em dia o jornalismo veste-se também de cidadãos-repórteres e de bloggers, tantas vezes em paralelo com a profissão que exercem como jornalistas e na qual se inclui o código deontológico. Não obstante o acréscimo, e direito, de liberdade que usufruem – e fazem usufruir -, o que seria o mundo sem blogues de opinião?, neste caso concreto, e falo de jornalistas que fazem metajornalismo, a democracia é muitas vezes colocada em conflito com o exercício da profissão sem se estar ao serviço da profissão e, por isso, fora do código deontológico a que estão obrigados.

Se por um lado esta forma de intervenção na sociedade é uma lufada de alternativas frescas aos grupos económicos detentores dos media – por outro há um descomprometimento da profissão que muitos jornalistas exercem e que não se coaduna com sectariasmos e parcialidades que caracterizam o metajornalismo.

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Jornalismo Online: Uma Hiperligação de Vantagens!

18 de Março de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

Jornalismo online, internet, tecnologia, evolução: está tudo ligado com a transformação dos meios de comunicação. A rotativa, o off-set e a paginação electrónica alteraram a imprensa; O DAB, o RDS e o transístor alteraram a rádio; a interactividade, a alta definição, os sistemas digitais e as relações com a informática e as telecomunicações modificaram a televisão.

O jornalismo online surge, então, como uma forma complementar ao jornalismo tradicional. Mais: obriga-o a adaptar-se constantemente! É a mediomorfose de Roger Fidler do jornalismo do futuro. E isto em 1997! 

Um único suporte: a internet

jornalismo onlineNa actualidade a Internet é o grande motor de convergência dos meios de comunicação, o grande suporte de todos eles, possibilitando aos jornais incorporarem recursos que antes eram exclusivos das rádios e televisões.

E não modificam a sua essência, atenção, já que o texto mantém-se como o principal suporte da informação. Viva o texto!

Não há concorrência entre o jornalismo online e o tradicional jornalismo de papel. Há, isso sim, complementaridade. Tudo isto que digo é resultado de estudos que até comprovam que muitas vezes o leitor do jornalismo online vai às bancas comprar o jornal pelo interesse que o jornal da internet lhe despertou.

Isto faz do jornalismo online um monstro – mas um monstro de conhecimento e partilha!

Qual é a grande inovação do jornalismo online?

Repare, não é apenas o acesso aos conteúdos que constituem uma novidade no jornalismo online: a possibilidade de interagir com eles, sim. Como? Através de motores de busca e da navegação; através da possibilidade de interagir com os jornalistas; através do e-mail esse grande milagre da correspondência; através da participação em fóruns de discussão propostos pelo jornal; através das caixas de comentários e da partilha nas redes sociais.

O que caracteriza exactamente o jornalismo online?

  • a interactividade entre o leitor e o jornalista;
  • o hipertexto na possibilidade de se estabelecerem ligações sucessivas entre textos e outros registos, uma individualização da informação;
  • a hipermédia: conteúdos escritos, sonoros e imagéticos tudo junto e unido;
  • a glocalidade, ou seja, a produção local porém de alcance mundial;
  • a personalização: o leitor interage sobre a forma e o conteúdo do jornal como, quando e o que quer;
  • instantaneidade, ou seja, as notícias podem ser transmitidas no momento em que são finalizadas ou em directo;
  • a apetência pela profundidade através da navegabilidade pelas hiperligações;

Mas também existem dificuldades no jornalismo online!, nomeadamente pela questão do enviesamento da informação pelo descontrolo da mensagem inicialmente produzida. Veja bem: se o hipertexto permite que o leitor ande por aí a navegar personalizando a informação, também não há garantia de que o que está a receber e a perceber, como mensagem, é mesmo o que se está a querer emitir. Mas isto será tema para outras e novas conversas.

O importante a perceber é que o jornalismo online é, sem dúvida, um acrescento altamente positivo nos meios de comunicação em geral e nos conteúdos escritos em particular.

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