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Língua Afiada

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“Entrevistas no Centro do Mundo” de Henrique Cymerman

7 de Novembro de 2019 by Sónia Vieira Deixe um comentário

A minha ida ao Médio Oriente resultou de uma vontade intrínseca de querer estar no “centro do mundo“. Sim, no centro do mundo!

Há já algum tempo que esse desejo crescia de forma desmesurada, mas consistente e sólida. Ainda que não o possa desligar da minha vertente histórica, esse bicho que me “rói” a alma, esse anseio teve a ver com a minha vocação para uma busca incansável do “metasocial”.

Talvez não se trate tanto de uma questão filantrópica, mas antes de uma conversão ao puramente social. Sim, eu sou um bicho altamente socializante e comungo em plenitude da filosofia aristotélica de que a sociabilidade faz parte da natureza humana e que necessitamos tanto dela, como de ar para respirar.

Não que eu tivesse pretensão de conseguir “sociabilizar” com israelitas e palestinianos, mas a minha curiosidade em saber mais e melhor sobre a “sociabilidade” no centro do mundo, onde a paz não tem morada, era sem dúvida tão trivial como incomensurável.

Não me enganei, ali era mesmo o centro do mundo! O epicentro de crenças, vontades, desejos, coragem e resistência como nunca antes tinha visto!

Uma viagem aos dois lados de um mesmo mundo…

entrevistas-no-centro-do-mundoNuma cidade como tantas outras, Telavive, o sol que raiva às 6h da manhã era um tanto mais forte do que noutras cidades e adivinhava um dia capaz torrar qualquer alminha mais desprevenida.

Jerusalém, ali mesmo no centro do mundo, pareceu-me uma cidade convidativa e hospitaleira, mas prenhe de movimento, com muitos rostos e muita vida por desvendar!

Falar de Jerusalém não é fácil. Podia ser uma cidade como tantas outras que existem no mundo, mas não é!

Ali, muita história aconteceu e acontece! Ali tudo era rápido e cheio de incertezas, mas também cheio de equilíbrio e consistência. É difícil descrever, muito difícil!

Alia, sente-se a latência de um povo em sobressalto, mas também em harmonia com a vida, agradecido com a dádiva conquistada.

Do outro lado, do lado de lá do muro, de uma fronteira construída sobre o ódio e o sofrimento, sobre a angústia e o medo, outros sofrem a mesma dor, abraçados a outra crença, a outra voz…

Ali, no centro do mundo, não há meias medidas, é tudo ou o quase nada!

Coragem e temor em ambos os lados do muro!

Henrique Cymerman não poderia ter escolhido melhor título para mostrar ao mundo o brilhante trabalho que tem vindo a fazer como jornalista, no local mais periclitante do mundo!

Foi com enorme surpresa e agrado que comecei a ler as suas entrevistas, realizadas no centro do mundo. Para além de uma escrita jornalística de enorme qualidade e distinção, a obra dá-nos uma visão clara, isenta e imune aos sentimentos (tão difíceis de conter!) sobre o conflito israelo-árabe.

Para o leitor que desejar perscrutar com maior acuidade os movimentos, valores e pretensões no Médio Oriente, onde não é possível dormir e acordar completamente descansado, esta é sem dúvida uma obra obrigatória.

A capa do terrorismo, o pavor da denúncia, a incerteza do improvável, a esperança de um amanhã de paz e sossego, a verdade incontida nas palavras andam de braços dados com uma vida de amor ao próximo e de uma coragem desmedida, em ambos os lados do muro!

Vale a pena ler!

Fonte da imagem

Arquivado em:TELEVISÃO Marcados com:amor, bares, cidades europeias, Cultura, edição, excursões, férias, jornais, monumentos, passeios, turismo, viagens à volta do mundo, viajar

Meios de comunicação social? Só se for de nome…

14 de Setembro de 2019 by Ricardo Lopes Deixe um comentário

A morte dos meios de comunicação social em Portugal

Problemas financeiros e apatia

Os meios de comunicação social em Portugal enfrentam uma crise sem precedentes, marcada por problemas financeiros profundos e uma apatia generalizada. A queda abrupta dos preços da publicidade e os consequentes cortes de pessoal deixaram muitas redações em dificuldades. Segundo um estudo da Associação Portuguesa de Imprensa, mais de 30% dos jornais locais fecharam nos últimos cinco anos devido à falta de recursos financeiros.

Esta situação levou a uma perda significativa da capacidade de interpretar e analisar o mundo. Em vez de cumprir a sua função de informar e educar o público, muitos meios de comunicação social tornaram-se meros reprodutores de conteúdos sem profundidade. A crise financeira transformou-se, assim, numa crise de identidade e propósito.

Dependência de estagiários e press releases

A dependência excessiva de estagiários e press releases é outro problema grave. As redações estão inundadas de estagiários, muitos dos quais acreditam que já sabem tudo após um mês de trabalho. Esta falta de experiência e orientação resulta numa cobertura superficial e pouco crítica dos acontecimentos.

  • Estagiários: Falta de experiência e orientação
  • Press releases: Reproduzidos sem verificação ou análise crítica

Os jornalistas, pressionados pelo tempo e pela falta de recursos, acabam por “picar” press releases da Lusa e “engolir” tudo o que as agências de comunicação tentam fazer passar dos seus clientes. Esta prática compromete a qualidade da informação e contribui para a desinformação do público.

Crise de funções e valores

A crise financeira e a dependência de estagiários e press releases culminaram numa crise de funções e valores. O ato de informar tornou-se leviano, funcional e amorfo. Os jornais deixaram de ter notícias para ter apenas “conteúdos”, muitas vezes sem qualquer tipo de tratamento jornalístico.

  1. Perda de análise crítica: Falta de vontade de ler nas entrelinhas e de levantar questões
  2. Difusão de notícias sem tratamento: Notícias passadas como se de meros blogues se tratassem

A verdade é que os meios de comunicação social nacionais estão uma sombra do que já foram. A falta de análise crítica e a difusão de notícias sem tratamento jornalístico são apenas alguns dos sintomas desta crise profunda. É urgente repensar o papel dos meios de comunicação social em Portugal e encontrar soluções para recuperar a sua função essencial de informar e educar o público.

Imagem sugerida: Uma redação de jornal vazia, com mesas desocupadas e computadores desligados, simbolizando a crise nos meios de comunicação social.

Os jornais deixaram de ter notícias para ter apenas «conteúdos»

Falta de análise e interpretação

Nos últimos anos, os meios de comunicação social em Portugal têm enfrentado uma transformação significativa. A análise e a interpretação, que outrora eram pilares do jornalismo, foram substituídas por uma abordagem mais superficial. Em vez de investigar e contextualizar os acontecimentos, muitos jornais limitam-se a reproduzir informações sem qualquer tipo de escrutínio crítico. Esta mudança resulta numa perda de profundidade e qualidade das notícias, comprometendo a capacidade dos leitores de compreenderem plenamente os eventos.

Exemplo da cobertura do desemprego

Um exemplo claro desta tendência é a cobertura do desemprego. Frequentemente, os meios de comunicação social divulgam números sobre a queda do desemprego sem questionar a veracidade ou as implicações desses dados. A opinião pública, influenciada por estas notícias, aceita a informação sem reservas. No entanto, vários fatores importantes são ignorados:

  1. Emigração: Muitas pessoas saem do país em busca de melhores oportunidades, o que reduz artificialmente os números do desemprego.
  2. Desempregados sem subsídio: Aqueles que deixam de receber subsídio de desemprego muitas vezes não são contabilizados.
  3. Formação e reformas antecipadas: Pessoas em formação ou que optam por reformas antecipadas também não são consideradas.

Esta falta de análise crítica impede uma compreensão realista da situação económica e social do país.

Difusão de notícias sem tratamento jornalístico

A difusão de notícias sem tratamento jornalístico é outra consequência preocupante. As redações, muitas vezes inundadas de estagiários, dedicam-se a “picar” press releases e a aceitar informações de agências de comunicação sem questionar. Este comportamento resulta em notícias que mais parecem entradas de blogues do que reportagens jornalísticas. A ausência de tratamento jornalístico adequado leva a uma informação amorfa e ineficaz, que não cumpre a função de informar de forma rigorosa e imparcial.

Consequências desta prática incluem:

  • Desinformação: Os leitores recebem informações incompletas ou enviesadas.
  • Perda de credibilidade: A confiança nos meios de comunicação social diminui.
  • Redução do debate público: A falta de análise crítica limita a discussão informada sobre questões importantes.

Em suma, a transformação dos jornais em meros veículos de “conteúdos” representa uma crise de funções e valores no jornalismo português. É essencial que os meios de comunicação social recuperem a sua missão de informar com rigor e profundidade, promovendo uma sociedade mais bem informada e crítica.

A crítica e a análise deixaram de fazer parte da agenda da maioria dos jornais

Falta de investigação sobre o desemprego

Nos últimos anos, a investigação jornalística sobre o desemprego tem sido superficial e insuficiente. Os meios de comunicação social limitam-se a reproduzir dados oficiais sem questionar a sua veracidade ou contexto. Por exemplo, quando se anuncia uma queda nas taxas de desemprego, raramente se investiga o que realmente está por trás desses números.

  • Quantas pessoas deixaram de procurar emprego?
  • Quantos emigraram em busca de melhores oportunidades?
  • Quantos estão em formação ou em programas de requalificação?

Estas questões são cruciais para uma compreensão completa do fenómeno, mas frequentemente são ignoradas.

Influência da emigração e outras variáveis

A emigração tem um impacto significativo nas estatísticas de desemprego, mas esta variável é muitas vezes negligenciada. A saída de trabalhadores para outros países pode reduzir artificialmente a taxa de desemprego, criando uma falsa sensação de melhoria económica. Além disso, outras variáveis como a cessação de subsídios de desemprego e as reformas antecipadas também influenciam os números.

  1. Emigração: Reduz a força de trabalho disponível, impactando as estatísticas.
  2. Cessação de subsídios: Pessoas que deixam de receber subsídio de desemprego podem não ser contabilizadas.
  3. Reformas antecipadas: Trabalhadores que optam por reformas antecipadas também saem das estatísticas de desemprego.

Desmontagem de mensagens propagandísticas

A falta de crítica e análise nos meios de comunicação social permite que mensagens propagandísticas se disseminem sem contestação. Quando os jornais e outros meios de comunicação aceitam e reproduzem informações sem questionar, tornam-se veículos de propaganda em vez de fontes de informação confiáveis.

  • Aceitação passiva: Reproduzir press releases sem investigação.
  • Falta de contestação: Não questionar dados oficiais ou mensagens governamentais.
  • Propagação de desinformação: Difundir informações sem verificação rigorosa.

A ausência de uma análise crítica e investigativa compromete a qualidade da informação e, por extensão, a capacidade do público de tomar decisões informadas. É essencial que os meios de comunicação social recuperem o seu papel de vigilantes da verdade, questionando e investigando para fornecer uma visão completa e precisa dos acontecimentos.

Conclusões

Resumo das principais ideias

Os meios de comunicação social em Portugal enfrentam uma crise profunda que vai além dos problemas financeiros. Esta crise é marcada por uma apatia generalizada e uma perda de funções e valores essenciais. A dependência excessiva de estagiários e press releases, juntamente com a incapacidade de lidar com o fenómeno da Internet, resultou numa queda significativa na qualidade do jornalismo.

Os jornais, outrora fontes de análise e interpretação rigorosa, transformaram-se em meros veículos de “conteúdos”. A falta de vontade de ler nas entrelinhas, de analisar e de levantar questões críticas é evidente. Um exemplo claro é a cobertura da queda do desemprego, onde os meios de comunicação social falharam em questionar os números e em investigar as causas subjacentes.

A crítica e a análise deixaram de fazer parte da agenda da maioria dos jornais. Questões importantes, como a influência da emigração e a situação dos desempregados que deixaram de receber subsídio, são frequentemente ignoradas. Esta falta de investigação e análise resulta numa informação superficial e, muitas vezes, enganosa.

Tabela de prós e contras

Para melhor compreender a situação atual dos meios de comunicação social em Portugal, apresentamos uma tabela de prós e contras:

Prós Contras
Acesso rápido à informação Dependência excessiva de press releases
Maior quantidade de conteúdos Falta de análise e interpretação
Facilidade de publicação online Crise de funções e valores
Diversidade de fontes Qualidade jornalística comprometida
Interatividade com o público Apatia e falta de investigação

Considerações Finais

A crise dos meios de comunicação social em Portugal é um problema complexo que requer uma abordagem multifacetada. É essencial que os jornalistas e as redações recuperem a sua função crítica e analítica, dedicando-se a investigar e a interpretar os acontecimentos de forma rigorosa. Só assim será possível restaurar a confiança do público e garantir que a informação difundida seja de qualidade e verdadeiramente informativa.

Imagem sugerida: Uma imagem de uma redação moderna com jornalistas trabalhando em conjunto, simbolizando a necessidade de colaboração e investigação rigorosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais problemas financeiros enfrentados pelos meios de comunicação social em Portugal?

Os principais problemas financeiros incluem a queda abrupta dos preços da publicidade e os consequentes cortes de pessoal, que resultaram no encerramento de mais de 30% dos jornais locais nos últimos cinco anos.

Como a dependência de estagiários afeta a qualidade do jornalismo?

A dependência de estagiários, que muitas vezes carecem de experiência e orientação, resulta numa cobertura superficial e pouco crítica dos acontecimentos, comprometendo a qualidade da informação.

O que significa a transformação dos jornais em veículos de “conteúdos”?

Significa que os jornais deixaram de se focar na análise e interpretação rigorosa das notícias, limitando-se a reproduzir informações sem escrutínio crítico, o que resulta numa perda de profundidade e qualidade das notícias.

Como a falta de análise crítica afeta a cobertura do desemprego?

A falta de análise crítica impede uma compreensão realista da situação económica e social do país, pois os meios de comunicação social frequentemente divulgam números sobre a queda do desemprego sem questionar a veracidade ou as implicações desses dados.

Quais são as consequências da difusão de notícias sem tratamento jornalístico?

As consequências incluem desinformação, perda de credibilidade dos meios de comunicação social e redução do debate público, uma vez que a falta de análise crítica limita a discussão informada sobre questões importantes.

Como a emigração influencia as estatísticas de desemprego em Portugal?

A emigração reduz artificialmente a taxa de desemprego, criando uma falsa sensação de melhoria económica, pois a saída de trabalhadores para outros países diminui a força de trabalho disponível.

Por que é importante que os meios de comunicação social recuperem a sua função crítica e analítica?

É importante para restaurar a confiança do público e garantir que a informação difundida seja de qualidade e verdadeiramente informativa, promovendo uma sociedade mais bem informada e crítica.

Quais são os prós e contras da situação atual dos meios de comunicação social em Portugal?

Os prós incluem acesso rápido à informação, maior quantidade de conteúdos, facilidade de publicação online, diversidade de fontes e interatividade com o público. Os contras incluem dependência excessiva de press releases, falta de análise e interpretação, crise de funções e valores, qualidade jornalística comprometida e apatia e falta de investigação.

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Jornalismo Online: Uma Hiperligação de Vantagens!

18 de Março de 2019 by olinda de freitas Deixe um comentário

Jornalismo online, internet, tecnologia, evolução: está tudo ligado com a transformação dos meios de comunicação. A rotativa, o off-set e a paginação electrónica alteraram a imprensa; O DAB, o RDS e o transístor alteraram a rádio; a interactividade, a alta definição, os sistemas digitais e as relações com a informática e as telecomunicações modificaram a televisão.

O jornalismo online surge, então, como uma forma complementar ao jornalismo tradicional. Mais: obriga-o a adaptar-se constantemente! É a mediomorfose de Roger Fidler do jornalismo do futuro. E isto em 1997! 

Um único suporte: a internet

jornalismo onlineNa actualidade a Internet é o grande motor de convergência dos meios de comunicação, o grande suporte de todos eles, possibilitando aos jornais incorporarem recursos que antes eram exclusivos das rádios e televisões.

E não modificam a sua essência, atenção, já que o texto mantém-se como o principal suporte da informação. Viva o texto!

Não há concorrência entre o jornalismo online e o tradicional jornalismo de papel. Há, isso sim, complementaridade. Tudo isto que digo é resultado de estudos que até comprovam que muitas vezes o leitor do jornalismo online vai às bancas comprar o jornal pelo interesse que o jornal da internet lhe despertou.

Isto faz do jornalismo online um monstro – mas um monstro de conhecimento e partilha!

Qual é a grande inovação do jornalismo online?

Repare, não é apenas o acesso aos conteúdos que constituem uma novidade no jornalismo online: a possibilidade de interagir com eles, sim. Como? Através de motores de busca e da navegação; através da possibilidade de interagir com os jornalistas; através do e-mail esse grande milagre da correspondência; através da participação em fóruns de discussão propostos pelo jornal; através das caixas de comentários e da partilha nas redes sociais.

O que caracteriza exactamente o jornalismo online?

  • a interactividade entre o leitor e o jornalista;
  • o hipertexto na possibilidade de se estabelecerem ligações sucessivas entre textos e outros registos, uma individualização da informação;
  • a hipermédia: conteúdos escritos, sonoros e imagéticos tudo junto e unido;
  • a glocalidade, ou seja, a produção local porém de alcance mundial;
  • a personalização: o leitor interage sobre a forma e o conteúdo do jornal como, quando e o que quer;
  • instantaneidade, ou seja, as notícias podem ser transmitidas no momento em que são finalizadas ou em directo;
  • a apetência pela profundidade através da navegabilidade pelas hiperligações;

Mas também existem dificuldades no jornalismo online!, nomeadamente pela questão do enviesamento da informação pelo descontrolo da mensagem inicialmente produzida. Veja bem: se o hipertexto permite que o leitor ande por aí a navegar personalizando a informação, também não há garantia de que o que está a receber e a perceber, como mensagem, é mesmo o que se está a querer emitir. Mas isto será tema para outras e novas conversas.

O importante a perceber é que o jornalismo online é, sem dúvida, um acrescento altamente positivo nos meios de comunicação em geral e nos conteúdos escritos em particular.

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