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Língua Afiada

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Nativos Digitais: o avanço tecnológico também pode ser triste

19 de Novembro de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

nativos digitaisSabe o que são nativos digitais?

Nativos digitais são os nascidos após a década de oitenta, designados pela sociologia, bem no centro dos grandes avanços tecnológicos, também conhecidos por geração Y ou geração da internet.

Os nativos digitais são exactamente os que têm a tecnologia inserida nas suas vidas prematuramente e que com ela convivem desde de muito cedo, usando as mais variadas plataformas digitais.

Imigrantes Digitais

No livro Teaching Digital Natives – Partnering for Real Learning, o Canadense Marc Prensky divide a humanidade em dois grupos: os nativos digitais e os imigrantes digitais. E quem são Os imigrantes digitais? São as pessoas que antecedem as gerações tecnológicas e que, mesmo utilizando os elementos digitais, não têm a mesma dinâmica e habilidade dos nativos digitais.

É o meu caso e, provavelmente, o seu: como se fosse realmente um estrangeiro, inserido em uma cultura diferente, existe uma adaptação mas aquele sotaque que não é bem de nativo, percebe?

Mas também há os que não sendo nativos digitais dominam em pleno as tecnologias por terem apanhado o comboio mesmo na altura certa… chamo-lhes, acabei de inventar, fluentes digitais.

Os nativos digitais amadurecem em frente do computador

e o seu comportamento, dos indivíduos da geração Y, é alterado pelas diversas entradas de informação que a tecnologia exerce sobre cada um deles – havendo uma forte tendência à falta de interacção como reflexo comportamental dessa geração. Também é verdade que este conceito se tem propagado às outras gerações: o contacto com o mundo e com as outras pessoas diferentes é feita por e-mail e pelas redes sociais.

De uma maneira geral, estes indivíduos relacionam-se por e-mail, pelo orkut, pelo facebook, pelo twitter e etc. A geração de nativos digitais é menos concentrada e mais impaciente – e isto porque possuem uma grande intimidade com o material tecnológico. Ademais são eles, os nativos digitais, quem ensinam os pais e os avós e os amigos de outras gerações a utilizar a tecnologia. Um fenómeno.

Até que ponto o uso das novas tecnologias desde o berço é saudável?

Estará o mundo, nomeadamente as escolas e as universidades e os ambientes de convívio social dos nativos digitais, configurado para acompanhar a evolução tecnológica? E em casa, há a educação que explicita que termos a tecnologia à nossa disposição não significa sermos dependentes ou escravos dela? Há o esclarecimento, desde cedo, de que nenhum recurso é bom ou mau em si mesmo, ou seja, bom ou mau é o uso que fazemos dele? Esta mediação é absolutamente imprescindível e urgente neste contexto.

E os afectos, onde ficam os afectos dos nativos digitais?

Há, venha quem vier, descompromisso crescente com as relações afectivas – mas isto verifica-se também com os imigrantes e com os fluentes digitais. Há, de facto, um pequeno paradoxo: ao mesmo tempo que a geração da internet, dos nativos digitais, quer respostas instantâneas para a maioria das coisas quando o assunto é afectividade, isso muda.

As pessoas querem envolver-se cada vez menos e nem sequer sentem necessidade de ter relacionamentos presenciais – preferem idolatrar a actriz ou a cantora ou até as mamas postiças do que beijar e apalpar uma mulher que vai dar retorno, ou seja, há aqui um medo de falhar – medo que é absolutamente camuflado pela perfeição digital. Enfim, uma tristeza que não é digital – é analógica.

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Filed Under: OUTROS Tagged With: computador, era digital;, fluentes digitais, imigrantes digitais, indústria audiovisual, internet, Liberdade, nativos digitais, plataformas digitais, rádio, tecnologia, televisão

Não há paradoxo: há música verde, aos molhos, na era digital

8 de Outubro de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

Na era digital a música também dá para comer

É música verde, veja a notícia, não há engano, não há paradoxo na era digital da videomusicalidade: saia já do computador e vá, vá ao frigorífico buscar umas pencas e umas cenouras, legumes aos molhos, que eu levo alho francês e abóbora para fazermos um concerto saudável. Verdade.

Chama-se orquestra vegetal, nasceu em Viena, e os músicos substituem violinos e trompas por legumes frescos e coloridos. São catorze músicos que decidiram extrair sons dos vegetais, harmonizá-los, e fazerem melodias com as hortaliças orgânicas que são compradas imediatamente antes dos concertos por forma a assegurarem uma verdadeira frescura auditiva. Fazem música verde. Verde e fresca. Não acredita?

Música Verde, legume a legume

música verde - vegetaisComo é que uma cenoura se faz flauta? Com furos, tudo muito bem esburacado, assim como o pepino ou o pimentão- o segredo está nos buracos nos sítios certos. Já as baterias fazem-se de abóboras com varetas de cenouras, tão simples.

E se nunca pensou no alho francês senão para dar gosto ao caldo, faça uma pausa para o romance porque eles também são violinos. Maravilha de mixórdia. Agora toque beringelas, quero dizer castanholas, e aproveite as cascas da cebola para fazer chocalhos. Nunca tinha pensado nisso, pois não?

Nem eu. Mas consigo bem imaginar e até ouvir os trompetes de pimentão, ah que doçura!, misturados com mais chocalhos e, desta vez, de feijão. Bravo!

Fica também a saber que nos intervalos dos concertos da música verde não se pode esquecer as bacias cheiinhas de água, à moda do Natal, instrumentos de molho – uma espécie de afinação -, para não ficarem ressequidos devido à iluminação. 

E afinal que tipo de música verde é esta?

Não há cá monotonia com esta orquestra vegetal, talvez também pela variedade de profissões dos músicos que integram a banda, trata-se de um estilo alternativo: a música verde varia desde free-jazz, tónica na improvisação; noise, no desconforto e irritação; house music, na batida 4/4; electro, na distorção electrónica; à música, curta e simples, pop. E sabe que mais? no final dos espectáculos, prazer absolutamente sustentável, aproveita-se tudo – tanto o que já se degustou como o que vai ainda a degustar: todos os instrumentos são cozidos no panelão gigante para resultar em uma sopa maravilhosa a consolar o público, uma festa que começa no fim da festa.

Fantástica e inusitada esta abordagem à música por este conjunto de pessoas criativas e saudáveis: como se além da alma também a música desse, e dá, a música verde (parem um pouco para verem e ouvirem – cá está o pseudo-paradoxo da era digital que é misturar videomusicalidade com hortinhas, grelos, pimentos, nabiças e tomates), para alimentar o corpo.

Filed Under: RADIO Tagged With: actividades artísticas, artes do espectáculo, concerto;, criação artística, era digital;, internet, legumes, Liberdade, música, notícias, orquestra;, rádio, teatro, televisão, vegetais;, videomusicalidade;

Dia Mundial da Rádio – Igualdade de Género?

2 de Outubro de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

O dia mundial da rádio comemora-se desde 2011, altura em que A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aprovou esta resolução para o dia 12 de Fevereiro. A rádio como dadora de voz aos que não são ouvidos; a rádio como ajuda na educação dos analfabetos e a rádio também como bombeira em situações de desastres naturais. A partir de então, há festa na rádio desde há quatro anos. Viva a rádio!

Porquê um dia mundial da rádio?

Valorizar a rádio junto ao público, assim como encorajar o seu desenvolvimento em todo o mundo e promover as cooperações internacionais entre as rádios do planeta – assim se assume o propósito da celebração da rádio à escala mundial. O tema desta edição de 2014 foi a Igualdade de Género na Rádio, na tentativa de estimular a discussão sobre a realidade de os cargos de maior destaque no sector serem ocupados por homens.

Promoção da igualdade de género,

terá sido a abordagem principal que marcou este ano no dia mundial da rádio e que terá sido celebrado pelo convite, realizado a oito rádios provenientes de todo o mundo, para produzirem programas ao vivo na sede da UNESCO. Os programas foram transmitidos nas cinco línguas oficiais da ONU, incluindo o chinês. 

A mensagem da UNESCO

dia mundial da rádioNo dia mundial do rádio versou o comprometimento para encontrar o equilíbrio entre homens e mulheres neste meio de comunicação de liberdade e de expressão que é a rádio.

Acredita, pois, a UNESCO, que trabalhando a exaltação da rádio como um poderoso, independente e plural meio de comunicação – tanto para mulheres como homens – bem como para criar um ambiente mais seguro para todos os jornalistas, com reconhecimento especial às ameaças sofridas por mulheres jornalistas em todo o mundo, há desenvolvimento no sentido de que a rádio pode transmitir qualquer mensagem para qualquer lugar a qualquer tempo – , uma espécie de omnipresença, aproveitando-se ao máximo esse poder para o benefício geral.

Não esquecer de que este esforço inclui o lançamento pela UNESCO, em 2013, da Aliança Global em Media e Género.

A mensagem do Vaticano

Sobre o dia mundial da rádio, através da Rádio Vaticano, não poderia ter sido – em gesto – melhor: à meia noite fez-se ouvir um concerto da Orquestra Nacional Francesa a que se seguiram horas de programação especial dedicada às mulheres, pelo papel que têm no trabalho da rádio e também ao trabalho das jornalistas da rádio Vaticano cuja missão é dar voz às mulheres que, em todo o mundo, não têm voz.

Não será caso para dizer que o dia mundial da rádio, promovendo a igualdade de género através do privilégio da mulher, até pela máxima que utilizaram e divulgaram “as mulheres são protagonistas”, terá discriminado os homens?

Filed Under: RADIO Tagged With: concerto;, Dia Mundial da Rádio, era digital;, igualdade de género, Liberdade, mulheres, notícias, orquestra;, rádio, UNESCO, vaticano

Televisão Digital Terrestre: monitorização em curso

26 de Setembro de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

Televisão Digital Terrestre (TDT)

A televisão digital Terrestre, ou TDT, veio substituir a televisão tradicional: o sinal de televisão passou a ser transmitido de forma digital, em vez da forma tradicional (analógica), continuando a ser captado por uma antena exterior ou, em zonas de melhor recepção, por uma antena interior. Na maioria dos casos, continuam a ser utilizadas as mesmas antenas. Em outros casos, precisaram de ser redirecionadas.

Como veio cá parar?

televisão digital terrestreAo longo de várias décadas, a transmissão pela televisão assentou em tecnologia analógica. Contudo, a inovação e o desenvolvimento vieram proporcionar meios mais eficazes para o registo, armazenamento e processamento de sinais eléctricos – bem como a possibilidade da sua transmissão sob forma digital. Surge assim a televisão digital terrestre, que oferece consideravelmente melhor qualidade e proporciona espaço para mais canais de televisão.

Entretanto, na União Europeia, foi decidido que a radiodifusão analógica terrestre deveria cessar até 2012, o que levou os vários Estados-Membros a prepararem a transição da televisão analógica para digital.

Tendo decorrido por fases, o processo de transição para a televisão digital terrestre (TDT) em Portugal ficou concluído a 26 de abril de 2012.

Vantagens da Televisão Digital Terrestre

  • Melhor qualidade de som e de imagem, em detrimento da televisão tradicional, os quatro canais nacionais (RTP 1, RTP 2, SIC e TVI; RTP Madeira e RTP Açores, na Madeira e nos Açores, respectivamente);
  • Acesso a um guia de programação electrónico, com informação sobre os programas disponíveis;
  • Possibilidade de serem efectuadas gravações e pausas nas emissões, em caso de existência de equipamento com gravador de vídeo digital (DVR).

Futuramente, as emissões destes canais serão disponibilizadas apenas em formato de alta definição (HD), pelo que é aconselhável que o equipamento a adquirir seja compatível:

  • Compatibilidade com a norma DVB-T;
  • Descodificação de vídeo em MPEG-4/H.264.

Antes de adquirir qualquer equipamento, o utilizador deve certificar-se de que dispõe de acesso direto à TDT na sua residência. Se não estiver disponível, ou tiver limitações, pode ser necessário outro tipo de equipamento diferente do usado para a recepção da TDT (por exemplo, uma antena parabólica e um descodificador específico). Informe-se junto da PT Comunicações, através do Portal TDT, ou do número gratuito 800 200 838.

Sinal de Televisão Digital Terrestre avaliado

A televisão Digital terrestre começou a ser, em processo piloto de monitorização do sinal, avaliada. As primeiras freguesias escolhidas – Odivelas, Vialonga, Benfica do Ribatejo e Benavente – mostram, para já, haver estabilidade nas quatro sondas que integram o sinal. De qualquer forma, a Anacom prevê concluir a instalação de 386 unidades até ao final do terceiro trimestre.

As sondas

As sondas, criadas e instaladas por um consórcio de empresas portuguesas, vão ser agora espalhadas no país para medir o sinal de televisão digital terrestre, 24 horas por dia, todos os dias. A montagem das sondas responde à representatividade da população portuguesa. A instalação das sondas está a ser feita em mais de um terço das freguesias. Estarão todas no terreno no final do terceiro trimestre.

Filed Under: TELEVISÃO Tagged With: ANACOM, digital, era digital;, internet, Liberdade, notícias, PT, sondas, TDT, televisão, Televisão Digital Terrestre

A importância da rádio na revolução de Abril de 1974

30 de Abril de 2019 by Ana Rita Amante Leal Leave a Comment

A rádio apresenta uma vasta história, pois a primeira emissão radiofónica foi transmitida em 1906, nos Estados Unidos. Desde sempre que teve um lugar de destaque na informação e comunicação. Em 1974 este meio ainda se encontrava em difusão no nosso país, mas foi crucial para o êxito que o 25 de Abril alcançou.

A RTP – Rádio e Televisão de Portugal – era a única estação televisiva existente no nosso país, mas a maior parte dos portugueses ainda não possuíam uma televisão nas suas residências. A sua melhor companhia era a rádio, onde passavam programas de entretenimento, músicas e notícias. E foi precisamente a Rádio Clube Português que informou os portugueses do que estava a acontecer naquela manhã primaveril, do dia 25 de Abril de 1974.

Lisboa acordara com uma revolução militar, que pôs fim ao regime ditatorial que se vivenciava desde 1933, com o Estado Novo.

O papel da rádio no golpe militar

No dia 24 de Abril, pouco antes das 23 horas, a Emissora Nacional transmitiu a canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho.

O início do golpe de estado deu-se à primeira hora do dia 25 de Abril, quando a rádio Renascença transmitiu a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso. Esta estava proibida de passar nas rádios, porque fazia alusão ao comunismo.

A Rádio Clube Português foi transformada no posto de comando do “Movimento das Forças Armadas” e ficou conhecida como a “Emissora da Liberdade”.

Foi através da rádio que a população ficou a saber do que se estava a passar na capital portuguesa e a música de José Afonso colocou um ponto final na ditadura que se vivia em Portugal.

A rádio como meio de informação e difusão

Lisboa acordara invadida por militares dos vários regimentos da cidade, mas também de Santarém e Torres Vedras. Na Rádio Clube Português ninguém dormiu e às primeiras horas da manhã o jornalista Joaquim Furtado lê um comunicado, onde apela para que as pessoas mantenham a calma e permaneçam nas suas residências.

Ao longo de toda a manhã, as emissoras portuguesas noticiaram que Lisboa estava invadida por militares e pediram aos cidadãos para não entrarem em confronto com estes, afim de, evitar situações desnecessárias.

Através das emissoras, o povo ficou a saber que além das rádios, a RTP e o aeroporto de Lisboa tinham sido ocupados. Estava em preparação um cerco para o Quartel do Carmo, onde se presumia estar Marcelo Caetano.

Os objetivos da revolução eram claros: derrubar o regime, libertar os presos políticos, pôr fim às guerras coloniais e passar a existir eleições livres. Tudo isto sem se derramar uma gota de sangue.

Papel da rádio na era pós 25 de Abril

Depois da revolução que mudou a história do nosso país, as emissoras de rádio passaram a ser livres. A ditadura havia chegado ao fim e nos dias que se seguiram ouvia-se constantemente a canção “Grândola, Vila Morena”. A mesma era considerada um ataque ao governo, por isso, estava proibida.

Surgiram programas de rádio, os noticiários davam conta do que se passava no país, sem medo de represálias e a rádio, enfim, conseguia cumprir o seu objetivo: informar, informar e informar.

A revolução colocou fim à ditadura e a nação alcançou a tão esperada liberdade de expressão.

Filed Under: RADIO Tagged With: 25 de Abril de 1974, ditadura militar, golpe de estado, Liberdade, rádio, Rádio Clube Português, rádio Renascença

A todo vapor, o Movimento VAPER – ou como vaporizar não é fumar

20 de Dezembro de 2018 by olinda de freitas Leave a Comment

Fumar nasce com o dia, e o dia com esta novidade.Fumar cigarros dos outros, a vapor, incomoda ningém

O que é, afinal, o VAPER?

Assume-se como o Movimento de informação e de defesa dos direitos dos Vapers – utilizadores de cigarros electrónicos e parte dos seguintes pressupostos:

  • O que mata, não é a nicotina, é o fumo;
  • O vapor de água não prejudica terceiros;
  • O estado não tem de intervir na liberdade individual.

Fumar: nós e os outros

É certo que todos os fumadores sentem um prazer enorme em queimar tabaco, uma espécie de ritual individual, fumar, um hino a esse mistério que é inspirar, deixar de respirar, e, expirando, respirar novamente. Diga lá se não é, bem visto, o respirar a mais básica e inevitável forma de viver? Mas o fumo prejudica os outros – os outros que estão à sua volta e também o ambiente, isso é certo.

Já por isso os fumadores têm a sua liberdade, aquela que abrange a liberdade dos outros, restringida: os fumadores podem fumar na rua, no carro, em casa e em todos os locais onde foram adoptadas medidas de controlo de fumo, uma treta pegada obviamente visto que não existem exaustores com essa perfeição toda – quero dizer que de uma sala a outra de um restaurante em que a limitação da zona de fumadores e não fumadores se faz apenas, e só, pela via mental e do preconceito, só pode haver uma pseudo-perfeição. Como todas, aliás.

E se fumar for, afinal, não fumar?

Até que inventaram o cigarro electrónico, um objecto gelado (haverá quem gosta dos não-afectos até com cigarros), com bateria, e que em vez de fumo expele vapor apesar de conter nicotina.

A quem fará mal este veneno gelado a não ser ao utilizador-consumidor? Será, certamente, uma questão moral que está na base deste conflito, ora veja lá se percebe: você está no tal restaurante, na zona de não fumadores e a mamar de igual forma com o fumo e o cheiro do fumar dos outros que vem pela outra sala clean, e mete um coiso daqueles eléctronicos na boca. Sai vapor.

Na mesa ao lado está um casal com filhos que considera absolutamente repugnante o mau exemplo que está, mesmo ali, a ser dado. Ora fumar cigarros electrónicos não é estar a bem formar os futuros não fumadores (entretanto na viagem de regresso a casa o casal insulta-se e agride-se entre si mas isso não interessa nada porque um dos grandes males do mundo é o conjunto de fumadores – os que expiram fumo e os que expiram vapor); também pode dar-se o caso de o mal entendido passar pela halitose, ou seja, o vapor expirado pelos fumadores sem fumo constituir uma forma desenfreada de as partículas aquosas se misturarem com os germes e internamente haver um processo físico-químico resultante em halitose voadora que se repercute, externamente, em uma quantidade de perdigotos a circularem no ar (que ainda por cima é condicionado e nem oferece riscos para a saúde nem nada).

Esqueci-me, entretanto, de comentar a fotografia ali do canto superior direito: a Dona Amélia e a sua comadre, a Dona Justina, vou chamá-las assim, já passaram há muito dos sessenta e fumam que se fartam. São felizes e saudáveis. Mistério.

Filed Under: OUTROS Tagged With: cigarro, cigarro electrónico, fumar, internet, Liberdade, movimento VAPER, notícias, rádio, televisão, vapor

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