• Skip to primary navigation
  • Skip to main content

Língua Afiada

Aqui falamos sobre Jornais e Jornalismo, Cinematografia, Gravação e Edição de Imagem, Video e Som, Animações Computurizadas, Actividades de Rádio e de Televisão

  • IMPRENSA ESCRITA
  • TELEVISÃO
  • RADIO
  • CINEMA
  • REDES SOCIAIS
  • OUTROS

Cinema: ideologias, e teorias, da montagem

14 de Agosto de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

Montagem em definição

Sobre a montagem cinematográfica, dizem uns e outros:

A noção de montagem é um local de desafio e de confrontos imensamente profundos, e duráveis, entre duas concepções radicalmente opostas do cinema. O pensamento sobre a montagem desenvolve, não apenas um caminho técnico sobre a apropriação das imagens, a profunda relação com a forma em como a prática cinematográfica é compreendida. Tal como toda prática cultural, a montagem está submetida a jogos de negociação e conflito.

Por um lado há a teoria de considerar a montagem cinematográfica como o elemento essencial do cinema, especialmente a partir da tradição cinematográfica soviética e os filmes dos anos vinte com a expressão montagem-rei e, por outro lado, há o oposto da desvalorização da montagem enquanto tal e na sua submissão à representação real do mundo. Há, desta forma, duas grandes correntes ideológicas na montagem que até hoje continuam a influenciar a forma como é compreendido o cinema e, talvez também a fruição, a sua função.

André Bazin e a transparência:

André Bazin estabelece um percurso teórico consistente, e interessante, em afirmar que a vocação ontológica do cinema é a produção do real – era, por isso, necessário que as cenas tivessem uma certa ambiguidade própria: “é necessário que o imaginário tenha na tela a densidade espacial do real. A montagem nela só pode ser utilizada em limites precisos, sob pena de atentar contra a própria ontologia da fábula cinematográfica”.

Em A montagem proibida Bazin refere que a ambiguidade é uma riqueza quando o resultado for imprevisível, a partir de como as coisas acontecem realmente, ou seja, o filme precisa de mostrar os acontecimentos representativos e não deixar de se ver a si mesmo como filme. A noção de raccord aplica-se à concepção de cinema de André Bazin enquanto impressão de continuidade e homogeneidade do filme – como, por exemplo, o campo/contracampo, quando um gesto inicia em um plano e termina em outro plano, etc. Para Bazin, não há montagem sem raccord, uma espécie de obsessão pela continuidade.

Não realismo

Há uma corrente teórica que é exactamente contrária ao realismo por rejeitar a ideia de não-intervenção sobre a imagem. Atribui-se a esse real um sentido eminentemente ideológico e interpretativo que faz com que as imagens tenham sempre uma certa sequência e representem uma perspectiva, no sentido althrusseriano, ideológica do mundo. Trata-se do cinema soviético e o trabalho dos grandes cineastas russos (Pudovkin, Eisenstein, Vertov, Dohvzenko), sobretudo Sergei Eisenstein na sua extensa literatura sobre a teoria da montagem.

Dialéctica Marxista

Montagem como discurso articulado: nesta concepção de montagem estão presentes elementos da dialéctica marxista que encaram o filme como um discurso articulado a partir do materialismo dialéctico e histórico – e toda a crença que acompanha a revolução russa, Lenin, e os jovens cineastas da época.

O fragmento e o conflito

Eisenstein chama os componentes da montagem de fragmentos e dá, através dessa designação, uma função específica para o seu desenvolvimento no cinema a partir de cortes muito rápidos que fulminam a ambiguidade das imagens. O fragmento tem uma primeira função sintáctica de organizar o sentido das coisas e também uma materialidade específica.

Outra noção importante na obra eisensteiniana é a ideia de conflito – também pensada a partir do materialismo dialéctico e a ideia de que uma tese sempre deveria ser sucedida de uma antítese – conflito não apenas dramático mas também plástico nas cenas. A montagem como uma ideia que nasce do choque entre dois fragmentos indepententes (…) gráficos, superfícies, volumes, espaços, iluminações, ritmos, etc.

Filed Under: CINEMA Tagged With: actividades cinematográficas, Althrusser, Andre Bazin, cinema, cinema soviético, Dohvzenko, Eisenstein, filme, filmes, montagem, Pudovkin, real, Vertov

Jacques Aumont e, a estética do filme, o raccord

5 de Novembro de 2018 by olinda de freitas 1 Comment

A continuidade do filme - o raccordO que é o raccord?

Quando Jacques Aumont, em A Estética do Filme fala no raccord, fala no que seria propriamente a construção de uma ligação formal entre dois planos sucessivos e também na ideia de continuidade representativa que provoca um efeito de ligação ou até mesmo de disjunção – um caso particular, este último, o falso raccord, caracterizando-o a falta de continuidade de uma acção, ou facto apresentado, uma ruptura no tempo e ou espaço.

Figuras concretas da montagem

Ao abordar o que chama de figuras concretas da montagem, fazendo do raccord uma delas, Jacques Aumont (1995) lembra que a tentativa de organizar regras estruturais para a montagem de filmes é imensamente antiga.

Cada escolha feita, ou seja, o modo como as figuras da montagem são postas no filme, causará diversos efeitos distintos, sugerindo o raccord sobre um gesto – a articulação em dois planos de uma mesma acção, com o seu início em um quadro e o seu fecho no quadro seguinte: dois dentro do mesmo espaço como que compondo exactamente um mesmo movimento que escapasse de um quadro e entrasse no outro.

Jacques Aumont propõe, através deste exemplo, quatro possibilidades de efeito causado a partir da sua elaboração:

  • o efeito sintáctico de ligação ou a ilusão de continuidade de movimento;
  • o efeito semântico (narrativo) ou a noção, de tempo dentro do filme, alheia à realidade temporal;
  • o efeito conotativo – sentido, para além do colocado nos planos, que depende da distância entre os enquadramentos ou da natureza do gesto;
  • o efeito rítmico – o corte entre os planos.

Raccord de movimento

A ideia de subdividir as possibilidades de raccords, através de secções baseadas em características, teve a sua origem no que se chama de linguagem clássica cinematográfica – uma tentativa de formalizar as diversas possibilidades de se conseguir o efeito de continuidade e homogeneidade no discurso do filme.

Variâncias de raccord

Além do raccord no gesto, Jacques Aumont aborda outros tipos de raccord propostos pelo cinema de linguagem clássica:

  • o raccord sobre um olhar – o plano e o contraplano, o olhar sobre o olhar: mostrar, no primeiro plano, uma personagem a olhar numa direcção e, respeitando o sentido desse olhar, apresenta-se outra personagem que olha para a primeira, ou mesmo para um objecto, representando aquilo que a personagem do primeiro plano vê;
  • o raccord de movimento – pressupõe a manutenção da velocidade aparente e direcção da acção entre dois planos;
  • o raccord no eixo – dois momentos que se sucedem e que podem ter entre si uma leve elipse temporal em dois planos distintos, diferenciados apenas pelo distanciamento entre a câmara e o objecto – mostrando que é essencial, para a manutenção da ilusão de continuidade e ocultamento do corte, a utilização da regra dos 30° que obriga a que essa distância angular mínima se ponha entre o primeiro e o segundo posicionamento da câmara e evitando-se, assim, o efeito conhecido como “salto”.

Filed Under: CINEMA Tagged With: actividades cinematográficas, cinema, continuidade, efeito, filmes, Jacques Aumont, montagem, pós-produção de filme, projecção de filmes, raccord

Língua Afiada

Powered by: Made2Web Digital Agency.

  • Política Cookies
  • Termos Utilização e Privacidade
  • Mapa do Site