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Língua Afiada

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Tiras cómicas de Calvin e Hobbes. Sarcasmo de Watterson

26 de Dezembro de 2018 by olinda de freitas Deixe um comentário

Bill Watterson, o criador das tiras cómicas de Calvin e Hobbes, divulgou recentemente um novo desenho destinado a servir de cartaz ao filme Stripped, co-realizado pelo cineasta Frederic Schroeder e pelo cartoonista Dave Kellett. Isto depois de ter estado quase 20 anos sem apresentar publicamente um novo trabalho.

Para onde irão as tiras de banda desenhada?

Stripped é um documentário de 85 minutos, com entrevistas inéditas a imensos cartoonistas de várias gerações, que tem por essência a seguinte pergunta: para onde irão as tiras de banda desenhada (comic strips) quando os jornais em versão papel desaparecerem? Conseguirão sobreviver no mundo digital quando os jornais, que as fizeram crescer, desaparecerem?

O cartaz de Watterson mostra, em tiras cómicas de Calvin e Hobbes, um desenhador a saltar para fora da sua roupa com o susto quando lê um jornal cuja manchete é “Bye-bye, newspapers!”. Ao canto está o seu cão, a mexer em um tablet enquanto olha para trás a ver o que se passa com o dono, Calvin envelhecido, não se tratando, de todo, de tiras cómicas de Calvin e Hobbes envelhecidas. Pelo contrário!

A nudez humana: uma diversão de se ver

“Tendo em conta o título do filme – um dos sentidos de stripped é despido – e o facto de haver poucas coisas tão divertidas como a nudez humana, a ideia surgiu-me na cabeça já bastante completa”, explicou Watterson que descreve o documentário como uma “grande carta de amor à banda desenhada“, lindo, diz que tentou “fazer uma coisa muita cartoonística”. O documentário ainda está quente – foi lançado em DVD no dia 2 Abril.

As tiras cómicas de Calvin e Hobbes: um culto

As tiras cómicas de Calvin e Hobbes, banda desenhada do precoce Calvin e do seu sarcástico tigre Hobbes, deixaram de ser desenhadas por  Watterson em 1995. Por cá, apareceram religiosamente no PÚBLICO desde o primeiro número do jornal, em Março de 1990, e as aventuras de Calvin e Hobbes tornaram-se uma tira cómica de culto.

As personagens da risota

  • Calvin: um menino de seis anos, aventureiro, que navega precocemente na sua própria imaginação;
  • Hobbes: o tigre de pelúcia que é também o maior parceiro de Calvin, a amizade perfeita entre a política e a filosofia que começa nos nomes (Calvin vem de Calvino e está associado à depravação total do homem. Já Hobbes é o nome do filósofo que tinha uma visão obscura da natureza humana);
  • A mãe e o pai de Calvin, são mesmo só pai e mãe já que nunca recebem um nome na banda desenhada;
  • Susie Derkins: é a vizinha e colega de escola de Calvin, aparentemente destinada a ter uma eterna relação de amor-ódio com ele. Bem que Wattersom podia fazer tiras cómicas de Calvin e Hobbes a desmistificar isto – ou então a depurar tanto o amor como o ódio;
  • Miss Wormwood: a professora de Calvin.
  • Rosalyn: a terrível ama de Calvin, a única e inigualável criatura disposta a aturá-lo – e a cuidar dele também.

Resumindo e concluindo: Watterson, apanha o lanço e recomeça as tiras cómicas de Calvin e Hobbes. Deixa-te de coisas e atira-te à banda desenhada.

Arquivado em:CINEMA Marcados com:banda desenhada, Calvin e Hobbes, cartoonistas, comic strips, comunicação social, documentário, jornal online, Stripped, tiras cómicas de Calvin e Hobbes, Watterson

Um Gole de Dúvida no Caso do Vinho Conde de Oeiras

23 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Deixe um comentário

Conde de Oeiras, a marca proibida

O vinho Conde de Oeiras, marca registada pela autarquia de Oeiras em 2006, não pode ser usada. Porquê? Quem o diz é, em oposição ao Tribunal da Propriedade Intelectual, o Tribunal da Relação de Lisboa. Esta notícia foi avançada pelo Jornal Público.

Sebastião de Lorena, Conde de Oeiras, não admitiu que o vinho Conde de Oeiras tivesse o seu nome e a autarquia de Oeiras – apesar de discordar sob o argumento de que títulos nobiliárquicos estão extintos em Portugal desde 1910 – registou já o vinho Conde de Oeiras com outro nome: Villa de Oeiras. Conde ou Villa, o que interessa é mesmo a pinga, certo?

Assim nasceu o vinho Conde de Oeiras

vinho conde de oeirasTerá sido no reinado de D. José I, e sob forte influência do primeiro Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Mello e Marquês de Pombal, que o vinho produzido na sua quinta em Oeiras conheceu o seu apogeu que, “graças à sua qualidade e particularidades, iniciou o seu percurso além fronteiras tendo sido enviado à corte de Pequim como presente, por D. José”.

Em princípios do séc. XIX, aquando da sua estadia em Portugal para comandar as forças militares luso-britânicas contra o exército napoleónico, o Duque de Wellington provou-o e deu-o às tropas inglesas, que o tornaram conhecidos num dos maiores mercados internacionais. A very goog wine indeed!, há-de ter dito o Duque.

Assim se propagou a fama do vinho Conde de Oeiras ainda o Sr. Sebastião seria um esquisso de espermatozóide.

Cem anos depois: onde pára o consenso?

Cem anos depois da implantação da República não há, está visto, consenso acerca da possibilidade de uma marca que usa um título nobiliárquico ser registada sem autorização do detentor desse título.

A autarquia de Oeiras defende-se assim: “A marca que o município usou, Conde de Oeiras, não tinha intenção de se referir ao Sr. Sebastião de Lorena, o queixoso que agora ganhou a acção na justiça, mas sim à figura histórica do Marquês de Pombal, a quem foi conferido o título de Conde Oeiras no séc. XVIII, que veio a conceder foral à vila de Oeiras”.

A opinião dos Juízes

Os juízes da Relação reconhecem que as honrarias foram extintas por lei em 1910. Contudo, ressalvam, “encontram-se diversas disposições que reconhecem o seu uso em determinadas circunstâncias, não podendo deixar de se lhes atribuir alguma relevância jurídica no contexto de afirmação e de defesa do nome”, defendendo que os títulos nobiliárquicos não se confundem nem com nobreza nem com aristocracia.

O que é certo é que dão a razão ao Conde de Oeiras perante a utilização do nome do vinho Conde de Oeiras por parte da autarquia de Oeiras.

Dúvidas sobre a intenção do Conde de Oeiras

Ninguém sabe o que estará na origem de tão grande finca-pé do Conde de Oeiras relativamente ao vinho Conde de Oeiras poder ser usado pela autarquia de Oeiras. O eventual orgulho e também honra expectáveis por parte de D. Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena, o Conde de Oeiras, não existe – e o mentor da iniciativa do vinho Conde de Oeiras na autarquia, o ex-vereador José Ferreira de Matos, levanta a hipótese de o Conde de Oeiras ter na manga uma eventual pretensão de negócio. Estará o Conde de Oeiras falido?

O vinho Conde de Oeiras anda nas bocas do mundo, não para ser degustado, pelas piores razões: enquanto que o Tribunal da Propriedade Intelectual diz que a autarquia de Oeiras pode usar o nome do Conde de Oeiras, os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa asseguram que não.

Mas suspeita-se que o Conde queira ganhar uns guitos com o vinho Conde de Oeiras… será?

Arquivado em:OUTROS Marcados com:autarquia de Oeiras, comunicação social, Conde de Oeiras, D. Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena, jornal online, Jornal Público, vinho Conde de Oeiras, Vinho Villa Oeiras

Mercado Lionesa: Diversidade e Diversão em Matosinhos

18 de Novembro de 2018 by olinda de freitas Deixe um comentário

Mercado Lionesa, já ouviu falar nas notícias? Olhe é mesmo inaugurado hoje, estamos a 11 de Abril de 2014, em Matosinhos. Trata-se de um novo mercado ao ar livre, precisamente na Rua da Lionesa, com diversidade alimentar, literatura e eventos culturais – um espaço inspirado nos conceitos de street food e street market. Um estrangeirismo em acção, portanto, aberto de segunda a sábado das 10h às 19h com a possibilidade de organização de jantares e eventos no mercado mediante marcação prévia.

Matosinhos, cidade valorizada

Mercado LionesaO Mercado Lionesa possui uma área superior a 600 metros quadrados, em muito inspirado na Rua da Lionesa, em Leça do Balio, na cidade de Matosinhos.

Neste mercado há barracas de praia onde os mercadores se vão instalar, a um contentor marítimo que “vai servir de área técnica aos mercadores da parte da alimentação, e que trará também a imagem do Porto de Leixões.” O objectivo é recriar o ambiente ligado ao mar, característico da cidade de Matosinhos.

Dupla inauguração

Ao maior mural de arte urbana do Norte, num muro de 1400 m2 que pertence à empresa Unicer, de Grafitti/Street Art, junta-se o Mercado Lionesa, ambas inaugurações na mesma rua da cidade de Matosinhos.

Mas centremo-nos no Mercado Lionesa. Diversidade para os visitantes: marcas de alimentação como Shika Street Food Project, Comida de Rua, Go Natural e alguns espaços de degustação, nomeadamente de ostras e espumante. Estarão também presentes marcas de moda e cabeleiro, vestuário infantil, bijuteria e livros tais como Anjos Urbanos, Bazar da Lapa, Lovely Bazar, Fun&Fun, Ethnic-Chic, Rosa com Canela, Livraria Lello, Fyodor Books, Kyos Press Center, Smart Lunch, Portugal Enlatado, Oficina do Alfredo, Z”s, Stop and Go, entre outras.

Viviana, responsável pelo marketing do Mercado Lionesa em Matosinhos, esclarece que “há marcas que vêm pela primeira vez do “online” para o “cara-a-cara”, assim como outras que já estão consolidadas no mercado, mas que também estarão connosco.”

Acrescenta ainda que o valor pago pelos mercadores para a presença no Mercado é “simbólico, irrisório”: “A Lionesa está a apostar na consolidação neste projecto, e quer permitir às marcas do online que tenham acesso à possibilidade de ter um espaço físico”, explica a responsável.

A semelhança com o Mercado Bom Sucesso no Porto

A semelhança do Mercado Lionesa em Matosinhos com o Mercado Bom Sucesso no Porto é imensa: também neste último se juntam, num só espaço, o bom gosto e a diversidade de saberes e sabores entre gastronomia, animação cultural, workshops, mercado de frescos.

É esta tendência de mistura de actividades manuais e intelectuais que tem vindo a definir a expressão cultural um pouco por todo o lado: na base estará a oferta diversificada de lazer e diversão que tenciona quebrar a monotonia rotineira do dia a dia dos portugueses – assim como mostrar-lhes que a vida não é, não pode ser, apenas dias cansados de dificuldades e perspectivas tristes.

Arquivado em:OUTROS Marcados com:comunicação social, jornal online, Matosinhos, Mercado Lionesa, Rua Lionesa, street food, street market

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